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Dmitri Chabanov (1), Dionysis Tsintzas (2) e George Vithoulkas (3)

1 Novosibirsk Centre of Classical Homeopathy, Novosibirsk, Rússia
2 General Hospital of Aitoloakarnania, Agrinion, Grécia
3 University of the Aegean, Siros, Grécia
Correspondência: Dionysios Tsintzas, Kolovou 5, Agrinio 30500, Greece.

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Resumo

Objetivo. A medicina contemporânea apresenta uma grande necessidade de uma nova classificação do grupo de saúde do paciente, que possa ser a base para as avaliações patológicas, desenvolvimento e prognóstico da doença, para a possibilidade de cura, bem como as possíveis reações do organismo às complicações dos processos de tratamento. Tal categorização é possível se a mesma for baseada em abordagens holísticas na avaliação do nível da saúde, a partir do ponto de vista da reatividade e resistência do organismo. Esta classificação, existente na homeopatia clássica, é dividida em 4 grupos, estes são subdivididos em 12 níveis de saúde. Métodos. Um novo método para determinar o grupo e o nível de saúde é apresentado em um caso de artrite reumatoide juvenil de forma generalizada em uma menina de 11 anos, tratada com a homeopatia clássica. O acompanhamento do caso foi realizado por 18 anos. Conclusão. O método permite o médico avaliar a dinâmica do organismo como um todo durante o desenvolvimento da patologia.

Palavras-chave: artrite idiopática juvenil, homeopatia, teoria dos níveis de saúde

Recebido em 6 de abril de 2018. Aceito para publicação em 26 de abril de 2018.

Na medicina, existem várias classificações de saúde. Contudo, nenhuma delas é capaz de avaliar verdadeiramente a profundidade e a gravidade da patologia de um paciente. Essas classificações não são úteis no fornecimento de previsões a longo prazo acerca do desenvolvimento da doença e nem são úteis na previsão da eficácia do tratamento. Por estas razões, há uma necessidade crescente de alguns novos parâmetros introdutórios. Estes parâmetros não deverão apenas descrever uma patologia separada, mas também um estado coerente do organismo - a sua reatividade geral e resistência.

As investigações gerais de reatividade e resistência foram conduzidas em abundância na Rússia nos anos 50.1-4 De acordo com o Prof. Sirotinin, a autoridade reconhecida nesta área, a resistência (do latim resisto – resistir, suportar) é uma propriedade vital de um organismo, permitindo-lhe resistir a vários efeitos. Outros termos incluem “firmeza” ou “falta de receptividade”. No estudo “A Evolução da Resistência e Reatividade” foi discutida a ideia de resistência, abrangendo uma gama de mecanismos de resistência, além da imunidade, a qual compreende apenas uma parte.4 Os papéis principais no processo pertencem aos sistemas nervoso central e pituitários-adrenais. A reatividade geral é a capacidade de reagir aos efeitos ambientais de uma certa maneira. Em outras palavras, a resistência é uma medida da força final da homeostase, com a reatividade como a totalidade dos mecanismos da homeostase.1,3,4 Os principais instrumentos da reatividade do organismo são tanto a inflamação quanto a febre.1-5

Investigações têm mostrado um caráter mutável da reação inflamatória com reatividade reduzida e a reação tornando-se crônica ao invés de aguda; as doenças infecciosas se desenvolvem de forma difusa, e todas as fases do processo inflamatório tornam-se menos aparentes, com pneumonia sem sintomas.4

A Teoria dos Níveis de Saúde

Segundo a homeopatia clássica moderna, existem 4 grupos (12 níveis) de saúde.6,7 O grupo A consiste em pessoas que possuem alta reatividade e a resistência mais elevada do corpo. As doenças crônicas neste grupo são leves, com períodos de remissão de longa duração. As doenças agudas aparecem raramente, com os poderosos sintomas característicos da doença, acompanhados por febre alta e sem causar complicações. No grupo B, a resistência reduz enquanto a reatividade do organismo aumenta. Esses pacientes sofrem de doenças crônicas mais profundas, com estados agudos mais frequentes, seguidos por complicações que requerem tratamento.

O sexto nível do grupo B pode ser exemplificado, por exemplo, por pneumonia aguda ou pielonefrite aguda que aparecem várias vezes durante o ano. No entanto, começando com o sétimo nível do grupo C, pode-se observar um estado significativamente diferente do organismo. Uma série de patologias crônicas profundas se desenvolvem, tendo como base a reatividade drasticamente reduzida. Ou os pacientes não apresentam mais os resfriados comuns, a gripe, a otite e assim por diante, ou as doenças que são normalmente agudas possuem características pouco claras, sem temperatura febril. Pacientes pertencentes ao grupo D são aqueles sofredores de patologias incuráveis, com prognóstico de tratamento desfavorável e com a expectativa de vida mais curta.

A classificação supramencionada permite uma estimativa mais profunda acerca da gravidade da patologia, proporcionando um prognóstico para a possibilidade de tratamento e as reações do organismo durante o processo de cura. Dessa forma, os prognósticos de pacientes que sofrem de hipertensão, asma brônquica, câncer ou qualquer outra patologia serão completamente diferentes entre os grupos B e C. Falha no tratamento, bem como o aparecimento de complicações, recaídas, metástases e outros eventos indesejáveis são muito mais provável no grupo C, comparado aos grupos A e B. Um caso de artrite reumatoide juvenil (ARJ) curada será descrito, servindo como um exemplo do conceito.

Apresentação do caso

A paciente era uma menina magra, alta e loira de 11 anos de idade, residente na cidade de Tomsk, que consultou pela primeira vez em dezembro 1998. Após repetidas observações médicas e tratamento em um departamento especializado do HIR (hospital infantil regional) na cidade de Tomsk, a paciente foi diagnosticada com artrite reumatoide juvenil, forma articularvisceral, altamente ativa, soropositiva, com curso galopante. A admissão hospitalar mais recente foi em outubro de 1998. Durante a primeira entrevista, a paciente queixou-se de inchaço, dor e rigidez em muitas articulações e particularmente nas articulações metacarpofalângea interfalângicas proximais da mão, pulsos, tornozelos, cotovelos e articulações do joelho. As dores incomodavam incessantemente, eram agravadas durante o movimento, e persistiam durante o repouso. A rigidez aumentava durante as horas da manhã e diminuía durante o movimento. As articulações estavam significativamente inchadas e deformadas. A amplitude do movimento estava significativamente limitada (especialmente o cotovelo e o joelho). A taxa de sedimentação eritrocitária (TSE) aumentou para 48 mm / h, o fator reumatoide (FR) aumentou para 1: 128 (valor normal 1:20), a proteína na urina estava de 0,2 a -1,2 g/L e a hematúria chegou a 1 800 000 mL/cm3, o último como indicativo de envolvimento renal no processo, com inflamação imunológica e epitélio glomerular afetado. Células de Lúpus Eritematoso não foram encontradas.

Histórico pessoal

Não havia patologia articular no histórico médico familiar. De acordo com o histórico pessoal, a menina nasceu saudável, de pais saudáveis; ela foi amamentada por 12 meses, com o crescimento e desenvolvimento dentro dos limites da normalidade, as vacinas foram administradas de acordo com o calendário (Figura 1). Na idade de 18 meses, a paciente desenvolveu infecções respiratórias agudas (IRAs) de longa duração e recorrentes(3-4 vezes por ano), com febre alta de até 39°C, tratadas com ingestões repetidas de antibióticos. Na idade de 20 meses, a paciente desenvolveu eczema infantil (o rosto, os braços e o corpo foram afetados), o tratamento foi realizado com medicamentos anti-histamínicos e pomadas. Com a idade de 3 anos, ela foi hospitalizada 3 vezes em um período de 6 meses - a primeira admissão foi devido a disenteria aguda, e as admissões restantes foram devidas à recorrência da disenteria, para a qual ela recebeu antibióticos repetidamente. Na idade de 4 a 5 anos, a paciente continuou a apresentar doenças agudas frequentes com febres de até 39°C. Aos 6 anos, o primeiro caso de cistite se manifestou, acompanhado por dores ao urinar e leucocitose urinária, e ela foi internada em um hospital infantil, com nova ingestão de antibióticos. A cistite desenvolveu-se de forma crônica, com exacerbações recorrentes, dores cortantes e leucocitose urinária até os 8 anos de idade, a qual foi tratada com medicamentos urosépticos. Múltiplas reações alérgicas seguidas: alternância de estomatite com dermatite atópica, polinose, vulvovaginite alérgica, e alergia respiratória com tosse persistente. Na idade de 6,5 anos, apesar de todas as vacinações, incluindo a DPT, a paciente foi hospitalizada por causa da coqueluche (diagnosticada laboratorialmente). No hospital, também foi descoberta a ascaridíase, para a qual o tratamento anti-helmíntico foi administrado. Aos 7 anos, a paciente foi diagnosticada com impetigo estreptocócico e recebeu tratamento dermatológico. Na idade de 7,5 anos, a paciente contraiu varicela. Até os 9 anos de idade ela se encontrava frequentemente doente com IRA, amigdalite e otite e para o tratamento, os antibióticos foram repetidamente administrados. A febre mais recente ocorreu quando ela tinha aproximadamente 9 anos de idade. Na mesma idade (janeiro 1997), a paciente recebeu a vacina contra a encefalite transmitida por carrapatos e após a vacinação, ela desenvolveu dores de cabeça frequentes, fraqueza e fadiga rápida (as dores de cabeça não permitiam que ela participasse das aulas de educação física na escola). Por causa destas questões, a paciente foi tratada por um neurologista e foi diagnosticada com hipertensão intracraniana. Em agosto de 1997, com a idade de 9 anos e 9 meses, a queixa principal surgiu: poliartrite aguda das grandes e pequenas articulações (pouco antes o início da doença, a paciente recebeu o reforço da vacina contra a encefalite transmitida por carrapatos). Em outubro a novembro de 1997, a menina foi submetida a observação médica com posterior tratamento no Hospital Infantil No. 1 na cidade de Tomsk. A TSE aumentou para 52 mm/h, e a FR foi de 1: 64 com hematúria, já mostrando 20 000 mL/cm3 . No início, ela foi diagnosticada com artrite reativa por Chlamydia (com base na revelação de títulos de IgM de 1: 200 e reação em cadeia da polimerase positiva na garganta e swab vulvar). O diagnóstico foi alterado para a Síndrome de Reiter, a mudança foi baseada na clamidiose e na exacerbação da cistite crônica. A paciente recebeu um tratamento de longa duração com antibióticos (incluindo azitromicina) e medicamentos antivirais. Ela recebeu drogas anti-inflamatórias não esteroidais como tratamento a longo prazo. No entanto, a doença progrediu no decorrer do ano. A menina teve que sair da escola e perdeu todo o ano acadêmico. No verão e outono de 1998, ela foi hospitalizada duas vezes no HIR da cidade de Tomsk. Lá, ela foi diagnosticada com ARJ e recebeu sulfasalazina, sem efeito. A síndrome dolorosa aumentou, com títulos de FR aumentando para 1: 128 e hematúria aumentando de 400.000 a 1.800.000 mL/cm3 . Desde agosto de 1998, ela estava tomando Rhus-tox (12, 30, 200),Phos., Calc-carb, Chin-ars e Merc-dulc em diferentes potências e alguns remédios complexos homeopáticos, sem efeito.

Outros sintomas

Segundo a mãe da paciente, a menina era modesta, tímida, uma paciente bemcomportada e muito compassiva. Em julho de 1997, pouco antes do desenvolvimento da doença principal, ela ficou muito preocupada com a sua mãe, que foi levada ao hospital por causa de uma fratura de costela. A menina sentia medo de cachorros e trovoadas e tinha medo de que algo pudesse acontecer com os seus entes queridos. Ela gosta de comida defumada, picante e de leite. O seu sono era inquieto por causa das dores nas articulações; ela mudava frequentemente a sua posição durante o sono. Até os 6 anos de idade, ela rangia os dentes enquanto dormia e apresentava sonambulismo, encoprese (com fezes formadas) e enurese durante o dia (todos antes dos 6 anos de idade).

Análise do caso

A menina nasceu saudável com uma herança genética favorável. Até a idade de 18 meses, ela não apresentava doenças e mais provavelmente naquele momento, ela se encontrava no grupo A, de acordo com a escala de Níveis de Saúde (Figura 2). Posteriormente, a reatividade do organismo aumentou agudamente, com a menina frequentemente doente e assim, ela parecia estar no grupo B (quarto nível). Vale a pena mencionar que não havia fatores desfavoráveis descobertos que possivelmente pudessem ter influenciado o seu organismo durante o período da idade de 18 meses. Logicamente, pode-se concluir que apenas os fatores essenciais que afetaram o sistema de defesa do organismo como um todo foram as vacinas (dada a predisposição relevante e sensibilidade do organismo). Após os 18 anos meses, outro fator significativo que perturbou o mecanismo de defesa, incluindo o sistema imunológico, foi o tratamento inadequado para as IRAs, notadamente as prescrições repetidas de antibióticos e medicações antipiréticas. Por causa de todos os fatores mencionados acima, a reatividade global do organismo continuou a aumentar ainda mais e até os 6 anos de idade, a menina tinha apenas processos inflamatórios agudos de diferentes tipos com febres altas.

Este histórico, por um lado, mostra a atividade saudável do sistema de defesa, não permitindo o desenvolvimento de doenças crônicas. Por outro lado, o nível de saúde da paciente reduziu constantemente do quarto nível para o quinto e sexto níveis. Desde os 6 anos de idade, pode-se notar o surgimento da cistite crônica, a qual foi a razão para outro episódio de hospitalização, com uma ingestão crescente de antibióticos. No entanto, a paciente permaneceu no grupo B até a idade de 8,5 a 9 anos. Posteriormente, apesar da agravação geral (dores de cabeça, fatigabilidade, incapacidade de realizar esforço), a menina parou de desenvolver febre alta e doenças agudas. Foi nessa época que seu organismo entrou no grupo C (sétimo nível). É mais provável que o fator adicional do distúrbio do sistema imunológico tenha sido a vacinação contra encefalite transmitida por carrapatos, que poderia ter sido “a última gota” para o organismo já perturbado. Portanto, a manifestação de uma patologia degenerativa grave aos 9 anos e 9 meses de idade foi, de fato, pré-determinado para a paciente desde o momento da supressão abrupta da reatividade do organismo e a subsequente deterioração da saúde (grupo C).

Prognóstico

Nos casos de tratamento correto dos pacientes do grupo C de saúde, o prognóstico é a recuperação a longo prazo, que poderá durar por período de 4 a 6 meses a vários anos. Durante o tratamento, vários remédios homeopáticos podem ser necessários um após o outro. Durante o processo de recuperação, esperamos o surgimento de reações, isto é, a gama de patologias que foram suprimidas com o tratamento não adequado (supressivo). Além disso, espera-se a regeneração da capacidade do organismo de produzir inflamação aguda e febres altas. A agravação inicial da síndrome articular e sintomas renais são improváveis por causa da ausência de efeitos da quimioterapia e o quadro clínico completo da doença encontrar-se presente no início do tratamento.

Prescrição

(12 de dezembro de 1998) Causticum LMVI (para dissolver 10 glóbulos em 250 ml de água, para tomar 1 colher de chá por dia de manhã, antes de uma refeição) foi prescrito para reduzir os fármacos antiinflamatórios não esteroidais, com melhoria. O Causticum foi escolhido com base no princípio da similitude (similaridade), pois este remédio apresenta em sua patogênese a inflamação articular com inquietação, inflamação renal, fortes elementos da complacência, o medo de que algo possa acontecer com os entes queridos, o medo de cães e tempestades e o desejo por alimentos defumados. Foi decidido começar com uma baixa potência devido à gravidade da patologia e o baixo nível de saúde.

Acompanhamento

O caso foi acompanhado por 18 anos. Esta jovem visitou o médico 32 vezes ao longo destes 18 anos, e ela ainda se encontra sob tratamento. Durante este período, ela recebeu Causticum em diferentes potências, e para completar a cura, ela recebeu diferentes potências de outros 2 remédios homeopáticos, administrados em rotação - Natrium muriaticum e Tuberculinum. A dinâmica do processo de recuperação com o histórico do acompanhamento está representada resumidamente na Figura 3. O eixo horizontal mostra a idade da paciente no início do tratamento, a partir dos 11 anos até a idade de 29 anos. Com o tratamento, apesar de evitar completamente os anti-inflamatórios não esteroidais, a dor e o inchaço das articulações diminuíram significativamente já durante as primeiras 2 semanas, sem qualquer agravação primária, embora a recuperação continuasse gradualmente ao longo de vários anos. Um ano após o início do tratamento, a melhora da síndrome articular foi avaliada em cerca de 80% a 90%; a paciente foi então capaz de se juntar aos seus colegas de classe. Contudo, as queixas articulares desapareceram completamente 3 anos após o início do tratamento.

No entanto, a deformação, expressa como “nódulos” em certas articulações dos dedos, persistiu até o quinto ano e nos dedos dos pés até o sétimo ano de tratamento, enquanto o tamanho do sapato diminuiu de 40 para 38. Ao mesmo tempo, nem dor e nem rigidez foram notadas. No início do oitavo ano de tratamento, todas as articulações já pareciam normais. Ao longo dos 1,5 anos de tratamento, a TSE invariavelmente diminuiu, nunca ultrapassando 20 mm/h, embora tenha se tornado completamente normal durante o quarto ano de tratamento. A hematúria desapareceu completamente em 1,5 anos de tratamento. A proteinúria diminuiu naquela época para 0,03 a 0,06 g / L, e a sua taxa ficou estável, embora durante as IRAs com febres altas, algumas vezes a proteína aumentava até 0,9 a 1,0 g /L, indicando dano persistente e sustentado do epitélio em alguns glomérulos. A FR tornou-se negativa após 4 anos de tratamento e nunca aumentou além da normalidade. A paciente engravidou aos 21 anos de idade. A gravidez teve o seu curso sem qualquer patologia, os testes clínicos de urina estavam dentro dos limites da normalidade, e quase não houve agravação da síndrome articular. O parto foi vaginal (o menino tem agora 6 anos e é saudável). Mais tarde, sob vários estresses (divórcio, necessidade de ganhar dinheiro sozinha em 2011, a morte de sua mãe em 2014), houve algumas exacerbações da síndrome articular. Essas exacerbações estão destacadas na Figura 3 como os picos da curva azul correspondente às idades de 24 e 27 anos. Estas exacerbações tomaram seu  curso através da artralgia em diferentes articulações (sem inchaço proeminente); ao mesmo tempo, a FR estava dentro dos limites normais, e a TSE não aumentou além de 16 mm / h. Apesar de todas as tensões, o estado geral de saúde da paciente permaneceu satisfatório por muitos anos de observação, e ela continuou com os seus estudos e trabalho.

Nota-se a recuperação da reatividade do organismo no cenário de melhora da ARJ, que foi comprovada após 5 meses de tratamento (seção vermelha da Figura 3) pela manifestação de IRA com febre de 38,2°C (pela primeira vez nos 3 anos anteriores pois, enquanto sofria de ARJ grave, a paciente não desenvolveu nenhuma IRA ou qualquer aumento de temperatura). Posteriormente, durante o segundo e terceiro ano de tratamento, as IRAs ocorreram até 3 a 4 vezes por ano com febres de 39°C (enquanto os sintomas de artrite não pioravam). Mais tarde, as IRAs tornaram-se menos frequentes, uma vez por ano ou menos, em média, mas a febre aumentou para 39°C a 40°C, indicando alta eficiência do sistema imunológico da paciente. Durante todo o período de observação, por 17 anos, a paciente nunca tomou antibióticos. Além disso, durante os primeiros 6 anos de tratamento, houve várias erupções na pele e membranas mucosas (seção verde da Figura 3). Durante o quinto mês de tratamento, dermatite com prurido e vesículas que causavam ardência se manifestaram nas palmas das mãos. As erupções permaneceram por 10 dias e depois evoluíram para a descamação. Mais tarde, erupções semelhantes apareceram na sola do pé e depois na área do peito e pescoço, e essas erupções continuaram aparecendo por mais 5 a 6 anos, em intervalos de 6 a 12 meses. Ao mesmo tempo, a partir do quinto mês de tratamento, muitas verrugas apareceram nas costas da mão direita e permaneceram lá por 1,5 anos, desaparecendo posteriormente por conta própria. Depois de 3 anos de tratamento, o impetigo estreptocócico reapareceu nos braços e no quadril, fato que ocorreu no passado com a idade de 7 anos, antes da manifestação da ARJ. Em comparação, aos 7 anos de idade, a paciente foi tratada com antibióticos por um dermatologista, já o atual impetigo estreptocócico teve a resolução dentro de 1 semana, sozinho. Durante o sexto ano de tratamento, a paciente sofria de dores de cabeça periódicas, semelhantes às dores de cabeça com as quais ela havia sofrido antes da manifestação da ARJ.

Discussão

De acordo com Vithoulkas, todo ser humano é afetado por doenças agudas e crônicas, que se encontram interconectadas por toda a vida em um “continuum de um substrato unificado de doenças”, que leva à condição da doença final que marca o fim da vida. Consequentemente, no curso de uma cura, observa-se a dinâmica da doença sendo deslocada “de dentro para fora” e de órgãos internos (ou seja, rins e articulações) para a pele. Além disso, observa-se “a síndrome do retorno”, o caminho reverso das patologias anteriores (isto é, impetigo estreptocócico, dores de cabeça, alergias). Todos esses processos refletem a “Lei da Cura " de Hering e são evidências da mais profunda reorganização do sistema de defesa, o que não é observado nos casos de efeito placebo, sugerindo um resultado positivo para o tratamento.9

Apenas alguns ensaios clínicos foram publicados com metodologia adequada para avaliar a eficácia da homeopatia em pacientes que sofrem de artrite reumatoide. Nenhum dos estudos publicados relataram efeitos colaterais associados às drogas homeopáticas.10 Gibson, em 1980, em um ensaio clínico terapêutico duplo-cego para avaliar a terapia homeopática em artrite reumatoide concluiu que havia uma melhora significativa na dor subjetiva, no índice articular, na rigidez e força de preensão naqueles pacientes que recebem remédios Figura 4. Dinâmica geral da saúde (11 aos 28 anos de idade) homeopáticos, em comparação ao placebo.11 Dois anos antes deste artigo, o mesmo autor comparou 2 grupos de pacientes que sofriam de artrite reumatoide, tratados com salicilato no primeiro grupo e com homeopatia no segundo grupo. Os pacientes que receberam homeopáticos estavam melhores do que aqueles que receberam salicilato.12

Segundo a Teoria dos Níveis de Saúde, a mudança qualitativa no organismo da nossa paciente ocorreu 0,5 a 1 ano após o início do tratamento, quando a primeira IRA apareceu com uma febre de 38°C, com episódios subsequentes e mais frequentes de IRA, febre alta ao longo dos 2 a 3 anos de tratamento (Figura 4). Estes foram os sinais de recuperação, provando tanto a capacidade de desenvolver febres altas e sensibilidade aos vírus que provocaram IRA e posteriormente aos estreptococos. Todos os processos ocorreram contra o cenário de recuperação de uma óbvia ARJ progressiva, indicando que a paciente mudou para o sexto nível do grupo B. O nível de saúde atual parece ser o quarto do grupo B. O estado de saúde da paciente ainda não pode ser considerado estável. Apesar dos efeitos impressionantes da terapia e do desaparecimento de uma patologia grave como a ARJ, com complicações devido a um curso severo de glomerulonefrite, com o histórico de acompanhamento com duração de 17 anos, persiste um risco de recorrência de patologia autoimune. Este caso exige uma atitude especial e cuidadosa em relação a qualquer tipo de terapia supressora. Evitar o uso de drogas químicas e situações fortemente estressantes psicologicamente proporcionam um prognóstico favorável à expectativa de vida da paciente e, bem como, para a sua qualidade de vida. 

Conclusão 

A nova classificação dos Níveis de Saúde, baseada na abordagem holística do estado dos mecanismos de defesa, considerando a reatividade geral e resistência, permite o desenvolvimento do prognóstico da doença e probabilidade de cura do paciente, bem como possíveis complicações e reações do organismo durante o tratamento. A cura de uma patologia autoimune grave - a forma generalizada da artrite reumatoide juvenil – com o método da homeopatia clássica apoia a eficácia de tal tratamento. O acompanhamento de longa duração, não apresentando sinais de doença por 17 anos, serve como evidência firme para a força dos remédios homeopáticos. 

Contribuições do autor

O Dr. Chabanov foi responsável pelo tratamento da paciente; O Dr. Tsintzas realizou a pesquisa bibliográfica e ajudou com a escrita do artigo; e o Prof. Vithoulkas supervisionou todo o projeto.

Declaração de Conflito de Interesses

Os autores declararam não haver conflitos de interesse potenciais em relação à pesquisa, autoria e/ou publicação deste artigo.

Financiamento

Os autores não receberam apoio financeiro para a pesquisa, autoria, e / ou publicação deste artigo.

Aprovação ética

Este estudo não requer aprovação ética.

Referências bibliográficas

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6. Vithoulkas G. Levels of Health. The Second Volume of Science of Homeopathy. Revised edition. Northern Sporades, Greece: International Academy of Classical Homeopathy; 2017:23.
7. Vithoulkas G. A New Model for Health and Disease. Northern Sporades, Greece: International Academy of Classical Homeopath; 1996.
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9. Brien SB, Harrison H, Daniels J, Lewith G. Monitoring improvement in health during homeopathic intervention. Development of an assessment tool based on Hering’s Law of Cure: the Hering’s Law Assessment Tool (HELAT). Homeopathy. 2012;101:28-37.
10. Fernandez-Llanio CN, Matilla FM, Cuesta JA. Have complementary therapies demonstrated effectiveness in rheumatoid arthritis? [in Spanish] Reumatol Clin. 2016;12:151-157.
11. Gibson RG, Gibson SL, MacNeill AD, Buchanan WW. Homeopathic therapy in rheumatoid arthritis: evaluation by double-blind clinical therapeutic trial. Br J Clin Pharmacol. 1980;9:453-459.
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Artigo original disponível em: http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/2515690X18777995

Avaliação do Usuário

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TOTALIDADE

 

Séries de tomadas de casos

Entrando em contato com o remédio correto

George Vithoulkas

Similia. Vol. 19. N.1. Junho 2007

 

Resumo

Para encontrar o remédio correto, o profissional deverá entender a importância dos sintomas fornecidos e daqueles contidos. Ele também deverá encontrar certas condições internas, se o paciente confiar nele.

Para encontrar o remédio homeopático correto, o similimum como é chamado, significa salvar o paciente do grande sofrimento. Isso significa que ele* recebeu uma grande benção: a possibilidade de se tornar saudável e feliz mais uma vez.

Uma pessoa saudável encontra-se livre nos três níveis de sua existência - mental, emocional e físico e, portanto, é capaz de sentir um bem-estar, uma condição vital para uma verdadeira felicidade. Portanto, encontrar o remédio correto para um indivíduo doente proporciona essa possibilidade, que é algo de valor incomensurável.

Gostaria de considerar, em primeiro lugar, as dificuldades que fazem parte dessa tarefa e, em segundo, as condições internas que deverão prevalecer por parte do paciente e do homeopata, a fim de maximizar a probabilidade de um resultado bastante favorável.

Dificuldades inerentes à busca do ​similimum

Primeiramente veremos as dificuldades que o profissional deverá superar para chegar ao remédio certo. Nós as vivenciamos em nossa prática diária e as conhecemos muito bem.

No início da tomada de um caso, tudo parece em branco; enquanto o recebimento da informação da pessoa doente está em andamento, tudo é possível, mas à medida em que você prossegue para uma investigação e avaliação mais profunda e completa do caso, sua mente é impelida à analisar e combinar os sintomas.

A maior dificuldade que encontrará será na avaliação dos sintomas.

Quais sintomas serão levados em consideração?

Quais sintomas serão ignorados?

A luta é difícil, não tem como saber se o paciente está fornecendo toda a história, ou se os sintomas que ele descreve são confiáveis ou se ele está omitindo informações substanciais!

Ele está omitindo algo pequeno, mas estranho ou peculiar e, portanto, um sintoma importante? Ele faz isso por:

falta de cuidado com seus sintomas?

falta de observação?

vergonha e timidez?

confunde certas doenças ou desconfortos como se não dissessem respeito ao médico?

Sente que o seu sintoma é insignificante ou irrelevante para o caso (mesmo que este sintoma "insignificante" seja a chave do caso)? Desconhece o fato de sentir ansiedade excessiva sobre sua saúde?

Desconhece o que é mais importante para ele, talvez um medo excessivo da morte, o medo do câncer, o medo de enlouquecer, que ele não queira reconhecer?

Os intelectuais tendem a dar um relato ambíguo sobre as condições de saúde na maioria das vezes. É estranho que tantos intelectuais tenham me dito que, como eles entendem, a homeopatia é muito difícil de praticar, pois requer pacientes "muito inteligentes" (como eles) que são capazes de descrever corretamente seus sintomas!

A verdade é o contrário. Pessoas simples e sem instrução tendem a descrever mais claramente seus sintomas do que os intelectuais, porque expressam diretamente seus sentimentos sem filtrá-los como fazem os intelectuais. Eles tendem a expressar a natureza tal como é, enquanto os outros tendem a distorcer a natureza, interpretando-a de acordo com seus caprichos.

As condições internas do paciente e do profissional necessárias para encontrar o similimum

Em segundo lugar, veremos as condições internas necessárias, quando o profissional e o paciente se encontram, para criar a grande chance para a ocorrência desse milagre para o paciente: encontrar o remédio correto, o similimum.

Se quiser ver a imagem verdadeira da alma de uma pessoa, será necessário que a mesma "se dispa" na sua frente. Antigamente, era comum que o médico fizesse o paciente se despir completamente, independentemente do problema, pois era simbólico na medicina materialista e o médico queria ver tudo o que fosse possível com os olhos, no nível físico e material.

O profissional homeopata trata a pessoa inteira - o físico, emocional e mental, e também as sutis energias do ser humano. Há também o interesse em ver os sintomas subjetivos do paciente, todos os sentimentos e pensamentos distorcidos, a fim de compreender a totalidade da estrutura interna da patologia.

Dessa forma, o paciente precisará ficar completamente "despido" perante o homeopata.

Mas para que alguém fique "despido" diante do profissional, para permitir que ele veja sua alma, suas dores, suas feridas, seus medos, seus desejos e perversões naturais, vê-lo totalmente nu no corpo, na mente e na alma há requisitos, entendidos implicitamente pelo paciente e explicitamente pelo profissional.

Em primeiro lugar, existe um desejo profundo e sincero de ajudar o paciente a ser curado.

Este desejo é uma qualidade inerente de um curador, e os pacientes parecem saber a diferença quando o profissional a possui. Caso possua esse desejo, mesmo minimamente no início, o mesmo poderá ser aumentado pelos anos de experiência e dedicação que seguirão depois de ter visto os resultados positivos da sua prescrição.

A maioria dos pacientes percebe rapidamente as intenções internas do curador. Se este for egoísta ou se possuir interesses próprios, ele não se abrirá, ele não "se despirá", independentemente do esforço colocado.

Existem profissionais que ficam impacientes com o paciente; como eles não conseguem enxergar o remédio certo, eles forçam o paciente a dizer o que eles querem para ajustarem o caso à uma ideia preconcebida de um remédio específico. Há outros que não conseguem desvendar o mistério e acabam prescrevendo vários remédios juntos na esperança de que um deles seja o correto.

O sinal de que o profissional possui o talento ou a capacidade de curar os doentes é o entusiasmo inicial gerado no coração do aluno ao ter o primeiro contato com a homeopatia. Posteriormente, será necessária uma grande paciência para ouvir adequadamente o sofrimento do paciente sem a interferência de ideias preconcebidas, sem o barulho de seus pensamentos e sentimentos.

O profissional consciente se sentará diante do paciente como se ele fosse um quadro branco sobre o qual os verdadeiros sintomas serão escritos. É vital o profissional não interferir com projeções de pensamentos e sentimentos subjetivos, e fazer um esforço verdadeiro para não julgar as informações fornecidas pelo paciente, com as quais possa discordar ou não aprovar pessoalmente.

Muitos pacientes, uma vez que encontrarem um ouvido compassivo, abrirão e confessarão coisas nunca ditas a ninguém antes. Tamanho é o poder do seu desejo de ajudar essa pessoa. O momento em que o paciente derrama seus sofrimentos para você, é um momento solene. Deixe que apenas o seu desejo de ajudar seja evidente.

Em segundo lugar, será necessário ganhar a confiança do paciente dentro do curto período de tempo, ou seja, na duração de uma consulta.

Como isso é realizado?

Embora não seja difícil, algumas condições precisam ser atendidas.

a)Primeiramente será necessário sentir a confiança de que poderá realmente ajudar, não importa o quão difícil seja um caso. Essa confiança surgirá a partir do conhecimento geral que será obtido como resultado de seus estudos. Essa confiança será a condição número um que fará com que o paciente mais grosseiro e fechado se abra e confie em você. Quanto mais inseguro o profissional se sentir sobre o caso, menor será a informação que ele receberá. Este é um fenômeno estranho, porque não são ditas palavras sobre o assunto. O homeopata não expressará em palavras que está encontrando dificuldades com o caso, mas existe uma atmosfera através da qual o paciente perceberá, em um nível subconsciente, o que está acontecendo, seja positivo ou negativo. Mesmo um profissional falsamente cheio de segurança fará com que o paciente sinta confiança nele. Inúmeros são os casos em que as pessoas são exploradas por charlatães que parecem ter uma confiança absoluta em seus "medicamentos", independentemente de serem eficazes ou não.

b)Em segundo lugar, deverá mostrar um profundo conhecimento da patologia do caso em questão. Dessa forma, você será capaz de demonstrar que a patologia é perfeitamente compreendida por você. Para ter essa qualidade, não será necessário apenas ter um conhecimento profundo da medicina clínica, mas deverá ser também capaz de combinar esse conhecimento com o conhecimento da matéria médica e com a sua experiência clínica.

c)A terceira condição será uma simpatia mútua ou "homogeneidade", que poderá ocorrer espontaneamente ou ser desenvolvida à medida que segue o processo da tomada do caso.

Essa confiança e abertura de sua parte não devem ser confundidas com familiaridade superficial e exposição barata de carinho. Pelo contrário, significa estabelecer uma conexão não verbal que permita uma comunicação livre e profunda.

Esta é uma condição muito afortunada tanto para você quanto para o paciente. Como a confiança é estabelecida inconscientemente, o paciente se sentirá seguro e, portanto, será capaz de expor suas vulnerabilidades e falar a respeito da parte mais profunda do seu íntimo.

Deve-se dizer também que, se essa simpatia tiver uma direção para o erótico, não haverá chance de o indivíduo ser ajudado pelo curador, pois o curador estará numa procura para "obter" do paciente, apenas.

Na minha experiência de ensino, vi muitos estudantes que ficaram entusiasmados com os ensinamentos e pareciam compreender o material muito bem, mas não conseguiam aplicá-los ao se depararem com os casos, por não possuírem essa qualidade. Esses indivíduos se voltarão para outras vias para expressarem os seus talentos, como pesquisas ou carreiras acadêmicas, nas quais poderão se destacar; eles nunca se tornarão bem sucedidos na prática da homeopatia clássica.

Lembro-me de um exemplo característico dos meus anos de estudos na Índia. Na faculdade em que eu estudava na época, tínhamos um professor de matéria médica que conseguia reproduzir de cor, com grande riqueza de detalhes, todos os remédios e o fazia sem qualquer auxílio das anotações. Este professor era totalmente incapaz de combinar e aplicar esse conhecimento aos pacientes. Todos os alunos sentiram isso, e ninguém o procurava para solicitar ajuda nos casos que eles tinham com um problema de saúde.

Não se deixe seduzir por pensar que, por alguns pacientes terem sido curados sem todos esses requisitos, você poderá ser bem sucedido através do blefe.

Em vez disso, será a ausência de nova chance para o paciente, ou por não ter a possibilidade de comparar, já que o mesmo não experimentou o calor do curador realmente interessado contra a frieza de um examinador intelectual frio com uma aparência profissional.

d) A quarta condição será o respeito pela liberdade e integridade do paciente. Não tente intrusar e violar sua alma por força rude apenas por querer encontrar o remédio. Não tente investigar as coisas por curiosidade, ou por vontade de ver semelhanças em sua própria vida e justificar-se. Se fizer isso, você não conseguirá encontrar o remédio correto na maioria das vezes.

A partir do momento em que a informação fornecida tenha sido suficiente para prescrever com segurança, o profissional deverá interromper imediatamente suas consultas. Você poderá pensar que existiram outros eventos interessantes que o paciente pudesse relatar, especialmente no que diz respeito a seus momentos particulares, mas você deverá abster-se de perguntar, pois esta informação adicional não será crucial para encontrar o remédio.

Uma terceira condição interna será possuir uma grande perseverança na busca dos sintomas, especialmente em casos difíceis.

Muitas vezes meus alunos ficaram exasperados ao acompanharem a tomada de um caso, pela minha perseverança para encontrar os sintomas-chave para confirmar o remédio correto. A menos que possua essa qualidade, acabará perdendo muitos casos. Na frustração, você desistirá e escolherá um remédio, mesmo quando não tiver certeza sobre sua exatidão. Será melhor dizer não saber o que fazer do que conscientemente dar a prescrição errada.

A última condição interna que eu gostaria de discutir aqui é o momento silencioso de meditação.

Quando o paciente tiver fornecido todas as informações necessárias e o profissional estiver com as peças em mãos e juntando-as, este será um momento de análise e síntese da informação. Será melhor realizar este processo com um momento de silêncio interno, que poderá parecer uma pausa sem sentido ou uma meditação. Você ficará em silêncio por algum tempo. O paciente o perceberá como uma lacuna no processo, mas nunca ficará irritado por isso.

Você poderá estar consultando o repertório ou o seu computador, e o paciente ficará pacientemente à espera do seu próximo passo.

Através deste processo de construção da informação em uma imagem do remédio, de repente o remédio certo “clicará” em sua mente e assim, você saberá que terá chegado à resposta correta.

O milagre foi realizado!

É um momento excelente, que proporciona uma satisfação enorme ao profissional, mesmo antes de ter visto o resultado real de sua prescrição.

Quando este clique ocorre, o homeopata sabe que o paciente ficará bem, pois ele tem a certeza de ter encontrado o remédio certo.

*O gênero masculino foi usado exclusivamente para fins de conveniência e não se destina à discriminação em relação ao gênero.

George Vithoulkas leciona acerca da medicina homeopática desde 1967. Ele possui cadeiras em várias universidades e foi vencedor do Prêmio Nobel Alternativo em 1996 por seus esforços para atualizar a homeopatia nos padrões científicos e, em geral, ele é o principal responsável pelo ressurgimento mundial da homeopatia na Europa e nos EUA desde a década de 1960.

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Se influências de doenças suficientemente poderosas ocorrerem na vida de um indivíduo, o mecanismo de defesa irá se enfraquecendo de maneira progressiva em camadas. Essas camadas de predisposição são chamadas, na homeopatia, de "miasmas", tornando-se fatores importantes para qualquer médico que cuide de doenças crônicas.

Parágrafo 72 do Organon:

"As doenças peculiares à humanidade pertencem a duas classes. A primeira inclui processos morbíficos rápidos causados por estados e distúrbios anormais da força vital; essas afecções geralmente completam seu curso num período breve, de variação durável, e são chamadas de doenças agudas. A segunda classe abrange as doenças que, frequentemente, são insignificantes e imperceptíveis no começo; mas, de uma forma que lhes é característica, elas agem de modo deletério sobre o organismo vivo perturbando-o dinâmica e insidiosamente, e minando-lhe a saúde a tal ponto que a energia automática da força vital, destinada à preservação da vida, pode fazer frente a essas doenças apenas de forma imperfeita e ineficaz; no início, bem como durante o seu progresso. Incapaz de extingui-as sem auxílio, a força vital é impotente para prevenir seu crescimento ou sua própria deterioração, resultando na destruição final do organismo. Estas são as chamadas doenças crônicas."

Na homeopatia de Hahnemann a palavra "miasma" significa os efeitos de micro-organismos na força vital inclusive os sintomas que são transmitidos às seguintes gerações. Estes miasmas crônicos são capazes de produzir doenças degenerativas, doenças autoimunes e levar o organismo para distúrbios de imunodeficiência.

Hahnemann notou que cada uma das doenças crônicas tem três fases, uma fase primária, estágio latente e um estado secundário ou terciário. Os efeitos desses miasmas passaram então de uma geração para a próxima geração por herança e causaram predisposições a certas síndromes de doenças.

Os três miasmas crônicos que Hahnemann introduziu em 1828 foram chamados Psora (miasma da coceira), Sicose e Sífilis. Hahnemann publicou sua teoria miasmática muito antes da presença de microrganismos ter sido amplamente aceita, de modo que a maioria dos praticantes achou difícil entender uma teoria tão sofisticada sobre o contágio.

Em resumo, os miasmas hoje são denominados como predisposições genéticas e a análise das predisposições genéticas são importantes para um entendimento melhor sobre o nível de saúde do paciente e a profundidade da doença manifestada. É apenas uma teoria que orienta o raciocínio em relação à profundidade da doença e sua cronicidade.

Nunca prescrevemos com base nos miasmas e sim nos sintomas apresentados pelo paciente.

Recomendamos a leitura dos livros de George Vithoulkas: páginas 53-54 do livro"Níveis de Saúde", cap. 9  do livro "Ciência e Cura" e o livro “Doenças crônicas” de Hahnemann.

Avaliação do Usuário

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Vithoulkas G*, Muresanu DF**

*International Academy of Classical Homeopathy, Alonissos, Greece

** “Iuliu Hatieganu” University of Medicine and Pharmacy, Department of Neurosciences, Cluj-Napoca, Romania Correspondence to: George Vithoulkas, Professor of Homeopathic Medicine International Academy of Classical Homeopathy, Alonissos, Northern Sporades, 37005, Greece E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

Recebido: 14 de Outubro de 2013 – Aceito: 6 de Janeiro de 2014

 

Resumo

 

Embora a consciência tenha sido examinada extensivamente em seus diferentes aspectos, como na filosofia, psiquiatria, neurofisiologia,neuroplasticidade, etc., a consciência moral é um aspecto igualmente importante da existência humana, que continua como desconhecido em grau elevado, como um elemento quase transcendental da mente humana e a mesma não foi examinada tão completamente quanto a consciência e, em grande parte, continua a ser uma "terra incógnita" em relação à sua neurofisiologia, topografia cerebral, etc. A consciência moral e a consciência fazem parte de um sistema de informação que rege a nossa experiência e o processo da tomada de decisão. A intenção deste artigo será definir esses termos, discutir sobre a consciência a partir do ponto de vista neurológico e da física quântica, a relação entre a dinâmica da consciência e neuroplasticidade e destacar a relação entre a consciência moral, o estresse e a saúde. 

Palavras-chave: consciência, correlação neuronal da consciência, neuroplasticidade, consciência moral, livre arbítrio

 

Artigo original em inglês​: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3956087/

 

Consciência

 

Os significados dos dois termos "consciência moral" e "consciência" muitas vezes são confusos e incompreendidos por muitas pessoas.

 

Este artigo é um esforço para esclarecer esses significados e também para mostrar o papel de uma "consciência limpa" ou uma "consciência pesada" na saúde e na doença.

 

A "consciência" é a função da mente humana que recebe e processa as informações, as cristaliza e depois as armazena ou rejeita com a ajuda dos:

1. Os cinco sentidos

2. A capacidade de raciocínio mental

3. Imaginação e emoção

4. Memória

 

Os cinco sentidos permitem que a mente receba a informação, em seguida, a imaginação e a emoção a processam, a razão a julga e armazena a memória ou a rejeita.

 

As partes exatas do cérebro humano [1] onde essas funções ocorrem foram supostamente definidas pela neurofisiologia [2]. Uma observação importante é que quanto mais informações for capaz de reunir e processar, mais "ciente" e mais "consciente" o indivíduo se tornará sobre o mundo interno e externo [2]. A percepção e a vigília representam os dois principais componentes da consciência. A percepção é definida pelo conteúdo da consciência e a estimulação é definida pelo nível de consciência. Ele abrange a autoconsciência, que percebe o mundo interno de pensamentos, reflexão, imaginação, emoções, o sonhar acordado, bem como a conscientização externa, que percebe o mundo exterior com a ajuda dos cinco sentidos. Do ponto de vista neurológico, a consciência compreende um espectro de estados que vão desde os estados fisiológicos até os estados de comprometimento da consciência, os quais são monitorados por critérios específicos incluídos na Glasgow Coma Scale, mas compreende também os estados modificados ou por auto-treinamento (meditação transcendental) ou por ingestão de drogas.

 

Estudos neuroanatômicos revelaram numerosas estruturas implicadas na consciência, as quais foram muito bem descritas pela notável revisão de De Sousa sobre o conceito multidimensional da consciência [3]. Uma estrutura essencial que medeia a estimulação é o sistema ativador reticular ascendente (SARA), que compreende fibras específicas do neurotransmissor dos núcleos reticulares do tronco encefálico que estão conectados ao córtex através de vias talâmicas e extra-talâmicas e que se projeta para o hipotálamo e o prosencéfalo basal [4,5]. Após o SARA, outras estruturas importantes na consciência são: a amígdala, que modula memória, atenção, emoção e funções cognitivas mais elevadas, bem como o cerebelo, que modula função executiva, cognição e emoção [6]. Tanto o córtex pré-frontal e precuneus parecem estar correlacionados com a autopercepção e a metacognição [7,8]. Além disso, o córtex precuneus e pré-frontal junto com a junção temporoparietal e giro cingulado anterior representam áreas da função cerebral implicadas no "modo padrão" durante o estado de descanso consciente [9]. A conectividade frontoparietal e o tálamo são considerados os correlatos neurais mais importantes da consciência. A conectividade frontoparietal está implicada na manutenção da consciência, na atenção e na seleção comportamental das informações recebidas e armazenadas [10]. O tálamo é a estação de retransmissão final para dados perceptuais antes de atingirem o córtex. Ele também desempenha um papel fundamental na atividade cortical moduladora [11]: o tálamo e o córtex estão conectados de forma recíproca e essa conexão parece ser responsável pelos processos cognitivos superiores. Além disso, o núcleo reticular talâmico (NRT) parece controlar a sincronização tálamo-cortical [12]

 

Uma teoria muito diferente da correlação neural da consciência, a qual assume que a consciência consiste em entidade única e unificada, é a teoria das consciências múltiplas com três níveis hierárquicos: microconsciência, macroconsciência e a consciência unificada [13].

 

Uma das teorias múltiplas da microconsciência considera que a unidade funcional da consciência consiste em uma configuração neuronal triangular, cuja organização não é restringida por limites anatômicos convencionais. Essas organizações variam de tamanho de um momento para o outro, pois a cada momento encontra-se correlacionado com diferentes graus de consciência. A complexidade e dimensão destas composições dependem da sincronicidade de suas sinapses (conhecidas como sinapses de Malsburg), a força do gatilho que inicia sua sincronia transitória, e da disponibilidade de neurotransmissores [3,14].

 

Além das descrições neurológicas da consciência que consideram que a consciência seja gerada a nível neuronal, existe a abordagem da física quântica, governada pela física clássica, que confere uma visão mais dinâmica, mas que também dá origem a várias controvérsias [15]. De acordo com a visão da física quântica, a consciência depende da auto-observação e é continuamente auto-criada por processos inconscientes que estão constantemente vindo à existência através da autoconsciência, como o ato de observar um elétron, concretizado pelo colapso da função onda [16]. Essa imagem da consciência permite a coexistência de "ideias múltiplas e meia-formadas que flutuam abaixo do limiar da percepção ao mesmo tempo" aguardando o processo da auto-observação para acabar com essa sobreposição e concretizar uma ideia única [17]. Tal construção dinâmica implica numa mudança contínua na organização do cérebro. A neuroplasticidade e a consciência estão conectadas bidirecionalmente: com a consciência, por um lado, sendo o resultado da crescente complexidade da conexão de alguma atividade e, por outro lado, reorganizando as conexões cerebrais através das atividades de aprendizagem [18]. O cérebro consciente encontra-se em um estado incessante de aprendizagem, ele aprende como descrever e redescrever a sua própria atividade para si mesmo, desenvolvendo sistemas complexos de metarepresentações [19]. Além disso, o impacto dinâmico da consciência sobre a conexão cerebral continua além da vigília e o sonho também exerce um importante impacto sobre as redes neuronais [3,20].

 

Um outro aspecto importante da neuroplasticidade na consciência é representada pelo estado modificado da consciência durante o processo de atenção plena. Do ponto de vista da neurociência, a prática de focalizar a atenção produz mudanças mensuráveis na atividade do cérebro espontâneo, aumentando as frequências gama [21,22]. Estas mudanças eletromagnéticas são fundamentadas pelos estudos de imagens que demonstraram as mudanças dinâmicas na substância branca, como aumento da mielinização e conectividade [23] e o aumento da espessura cortical [24].

 

Consciência moral

 

Devemos lembrar que os mecanismos da "consciência" são complexos e intrincados, enquanto os funcionamentos da "consciência moral" são muito mais simples. O conceito de "consciência", como comumente usado em seu sentido moral, é a capacidade inerente de todo ser humano saudável perceber o que é certo e errado e, na força dessa percepção, controlar, monitorar, avaliar e executar suas ações [25]. Tais valores como certo ou errado, bom ou mau, justo ou injusto existiram ao longo da história humana, mas eles também são moldados pelos ambientes culturais, políticos e econômicos de um indivíduo 3. Quanto mais o nosso estado de consciência moral interior identificar-se com a percepção mais elevada desses conceitos, como: o bom, correto e justo e quanto maior for o nosso grau de "Consciência moral", menor estresse físico será experimentado ao sentirmos que agimos de acordo com esses conceitos 4. Pode-se dizer que a "consciência moral" 5 é o grau de integridade e honestidade de cada ser humano, pois ela monitora e determina a qualidade de suas ações. Quem age com uma "consciência limpa" tem a vantagem de sentir a paz interior, que é um sentimento que atenua os efeitos fisiológicos adversos experimentados em tempos de estresse. A consciência moral é a "autoridade máxima" e avalia as informações para determinar a qualidade de uma ação: boa ou maligna, justa ou injusta e assim por diante. Consequentemente, a consciência moral é mais elevada do que a consciência e, além disso, ela possui a capacidade e autoridade de decidir como a informação será usada, seja para o bem ou para o mal. No entanto, a consciência moral é geralmente influenciada e modificada em suas decisões pelos instintos naturais dos seres humanos para a "sobrevivência" e "perpetuação". Em outras palavras, a consciência moral determina as nossas decisões finais para as ações após a avaliação de todos os parâmetros acima, em uma fração de segundo [7].

 

A "função sistêmica" do cérebro

 

Todo esse processo (informação -consciência - percepção - consciência moral) deve ser entendido em sua totalidade como um conjunto complexo, contínuo e integrado de funções em todos os seres humanos saudáveis. Se alguma parte dessas funções estiver defeituosa ou deixar de existir, todo o sistema sofrerá ou poderá até mesmo colapsar. Isso demonstra a totalidade, a coerência e a continuidade da estrutura do cérebro humano, e isso significa que, embora possamos teoricamente distinguir entre as funções para fins de pesquisa e compreensão, essas funções, de fato, operam como um todo sistêmico, com uma interdependência absoluta entre as partes supra mencionadas.

 

O livre arbítrio

 

Podemos decidir agir de acordo ou contra a nossa consciência moral a qualquer momento. De fato, essas são as nossas únicas opções. É apenas dentro deste quadro em que a "liberdade de escolha" poderá existir. Isso significa que as decisões e ações que estejam de acordo com os ditames da "consciência moral" do indivíduo poderão levar a uma evolução e aperfeiçoamento dessa consciência, como resultado de uma paz mental interior. Tamanho é o esforço de todas as pessoas verdadeiramente espirituais. Por outro lado, se alguém agir contra a própria consciência moral, isso poderá levar a uma "involução" e um sentimento de ter uma consciência perturbada. Neste caso, o "diretor e juiz geral torna-se menos distinto ou mesmo quiescente; sua voz não poderá ser "ouvida", e isso permitirá que os instintos inferiores ganhem a parte superior do comando para agirem em conformidade. Nesta condição, um processo começa a criar uma "irritação" interna, ou "coceira" interna, que não permite um momento de paz. Por fim, as ansiedades e as fobias se manifestam, e elas são sintomas prodrômicos de um estado de saúde prejudicado. Isso acontece em nossas sociedades contemporâneas, nas quais muitos indivíduos inicialmente saudáveis que se tornaram figuras de destaque, como os políticos, jornalistas, policiais e juízes - aqueles que detêm o poder sobre outros em suas mãos, mas não possuem força moral suficiente - sucumbem à corrupção generalizada do nosso tempo. Em vez de usarem seus poderes para o benefício das pessoas, eles os utilizam apenas para os ganhos pessoais. Este não é o caso de todos, é claro, mas aqueles que se posicionarem contra tal tendência ficarão, finalmente, isolados e impotentes. E se a consciência moral encontrar-se sob a pressão dos instintos básicos e apresentar-se embotada, o ser humano descerá cada vez mais para um estado semelhante ao de um animal e será então forçado a servir exclusivamente os seus próprios instintos inferiores. Neste estado comprometido, as informações que um indivíduo recebe são avaliadas e utilizadas de acordo com o que é comumente chamado de "interesse próprio", um termo que assumiu o status de uma "lei divina" nos tempos de hoje. Se alguma das funções básicas, como a imaginação, a razão ou a memória forem reduzidas ou perdidas devido a alguma doença ou lesão, então o processo da percepção sofrerá, e todo o sistema poderá, por fim, colapsar. Neste caso, a consciência moral poderá não funcionar mais, o que ocorre nos casos da esquizofrenia, da doença de Alzheimer e nos ferimentos cerebrais graves, por exemplo. Isso nos leva à conclusão de que a habilidade funcional geral do cérebro (informação consciência-consciência moral) leva à decisão e às ações. As características desta habilidade são as seguintes: ela possui uma natureza hierárquica (suas variadas funções são de ordem mais elevada ou mais baixa); Apresenta um caráter único devido a sua complexidade infinita; é integrada (se uma parte colapsar, todo o sistema poderá sofrer ou colapsar); e encontra-se continuamente em mudança (a nova informação é constantemente absorvida, afetando e diferenciando os níveis da consciência moral). A capacidade hierárquica do cérebro humano de tomar decisões finais e significativas é responsável pelo comprometimento de uma pessoa na busca por Deus, assim como os monges, adeptos e místicos, ou pela busca da Verdade, como fazem os filósofos e cientistas, ou de enganar os outros, como os criminosos. Desta forma, a consciência moral formula cada nível de experiência, do mais baixo ao mais alto, chegando até ao transcendental e sublime.

 

Essas experiências transcendentais, extramundanas de pessoas espirituais podem ocorrer enquanto a pessoa ainda gozar de boa saúde e, ao mesmo tempo, tempo, conseguir entender e perceber as informações complexas recebidas e, assim, tomar decisões e ações em frações de segundos. Pessoas que conseguiram um alto nível de consciência geralmente possuem um "propósito de vida mais elevado"; elas têm "visões que podem inspirar os outros" e visam sempre ajudar os "outros" ou a humanidade como um todo. É através desse processo que uma nova qualidade de consciência surge finalmente, para sacrificar o interesse próprio pelo bem comum. A experiência mostrou que aqueles indivíduos criados em famílias com atitudes fortemente morais raramente conseguem ignorar os ditames de suas consciências. A consciência moral, por ser a mais nobre função de nossa existência, constitui o fio que nos mantém em contato com a nossa natureza universal ou com a verdade objetiva ou com Deus ou como queira chamá-lo [9]. Consequentemente, a definição do "grau de consciência moral" que qualquer pessoa possua poderá ser determinado como se segue: é o grau em que "participamos" da Verdade objetiva, ou seja, o bem absoluto ou o absolutamente "certo" ou o absolutamente "justo". Realisticamente falando, os humanos não conseguem alcançar o absoluto. É possível apenas que se aproximem ou se afastem do absoluto, dependendo da qualidade de suas consciências morais. Infelizmente, esta aproximação relativa da Verdade poderá mudar dentro da mesma pessoa, às vezes de forma dramática. O grau da consciência moral, ou o quão próxima a consciência moral da pessoa encontra-se da Verdade depende, infelizmente, de dois fatores: a. A avaliação das informações recebidas e b. A necessidade do indivíduo em satisfazer seus instintos humanos.

 

Dizemos "infelizmente" porque é mais fácil para a consciência moral cair para um nível mais baixo, caso a escolha da pessoa seja para o conforto e interesse próprio. No contrário, é muito difícil atingir um nível mais elevado de consciência moral, pois o indivíduo já deverá ter adotado, através de longas lutas pessoais, o conceito de "sacrifício" dos interesses pessoais e conforto para alcançar um nível de consciência moral sempre ascendente.

 

A consciência moral atinge um nível mais elevado somente quando o "bem comum" é colocado acima dos "interesses próprios" [26]. Isso acontece de forma quase determinista. Exemplos de consciências morais elevadas são os adeptos de todos os tempos, com as suas experiências transcendentais, e todos aqueles que conseguiram domar suas paixões e buscaram a Verdade ou todos aqueles que sacrificaram suas vidas pelas sociedades em que viviam. Exemplos de baixa consciência são aqueles que conseguiram enganar, oprimir e aproveitar não apenas de algumas pessoas, mas das sociedades ou nações inteiras para o seu próprio benefício. Esses indivíduos são principalmente os políticos corrompidos cujas ações podem afetar as nações inteiras. Nós, como pessoas comuns, estamos em algum lugar entre estas duas categorias, e lutamos com dentes e unhas para mantermos uma condição um tanto equilibrada e para não calarmos a nossa consciência moral completamente. É uma luta diária, e geralmente perdemos muitas batalhas; consequentemente, a nossa saúde diminui até a morte completar a imagem.

 

Aqui, deve-se notar que a ação que traz a maior catarse e libertação interna é a confissão realizada em uma espécie de situação pública. Os efeitos dos tratamentos psicológicos e psicoterapêuticos são profunda, as pessoas admitiram que se sentiram rejuvenescidas e em um melhor estado de saúde. As decisões das pessoas em cargos de autoridade de todos os tipos dependem desse estado de consciência moral individual, se as suas decisões serão destrutivas ou construtivas, as quais muitas vezes poderão afetar uma nação inteira ou todo o planeta. O embotamento da consciência moral é necessária para aqueles que atuam como autoridades, para que possam encontrar desculpas para promoverem suas medidas destrutivas como necessárias e construtivas. Muitas guerras agressivas, especialmente nos últimos 50 anos, foram executadas em nome dos ideais democráticos, enquanto as vítimas incluíram milhões de pessoas e eles causaram sofrimento em inúmeros outros. Isso mostra o quão insalubre os nossos líderes se tornaram. Um livro impressionante foi escrito pelo Prof. David Owen, "Na doença e no poder. Doenças dos chefes dos Governos nos últimos 100 anos", descreve exatamente essa ideia, assim como o discurso do Prof. J. Toole, "Saúde Neurológica de Líderes Políticos" no 2º Congresso mundial sobre as Controvérsias na Neurologia (Atenas, 2008) [27,28]. Consequentemente, quanto mais os seres humanos dominarem suas paixões distanciando-se dos instintos básicos, quanto mais suas consciências morais evoluírem, atingindo um nível mais elevado, os indivíduos sentirão que estão vivendo em um estado de bem-aventurança. Esta evolução da consciência moral é um esforço sem fim, que continua por toda a vida de uma pessoa e, por isso, na minha opinião, a consciência moral nunca será definida como pertencente a uma certa parte do cérebro ou como um complexo quimicamente complexo, pois o cérebro muda e evolui exatamente por causa desses processos. Sugerimos que esses conceitos possam formular a "matéria-prima" de uma discussão que examinaria se a consciência moral encontra-se dentro do cérebro; se é apenas o resultado de um composto químico ou algo diferente, se reside além da estrutura cerebral, em uma dimensão transcendental; ou se as duas situações são necessárias e verdadeiras.

 

Conclusão

 

1 A consciência também é referida, no contexto de neurofisiologia, como "consciência subjetiva" [1]

2 A noção de consciência ou "vida interior subjetiva" tem sido abordada também a partir do ponto de vista filosófico e religioso, com propostas religiosas que abrangem principalmente as convicções metafísicas e propostas filosóficas, como os modelos teóricos especulativos [2].

3 Certamente, existem diferenças na consciência moral dos esquimós, japoneses, africanos, asiáticos, europeus, norte-americanos, e assim por diante, tamanha são as diferenças em relação ao certo e o errado em relação às situações da vida particular. No entanto, todas as culturas sabem e concordam com alguns conceitos básicos em relação à moralidade.

4 A formação da "consciência moral" ao longo do tempo é a maior característica espiritual dos seres humanos. Ela foi formulada através de um complicado processo de observação, experiência em geral, e em particular, do sofrimento. Este estímulo específico para o desenvolvimento da doença deverá ser um tema principal nos ensinamentos das instituições médicas para que aprendam e compreendam as baseados nessa realidade, seja ela admitida ou não. O mesmo fato deu poder a todas as religiões que possuem em suas práticas o ato da confissão. Após uma confissão honesta e doenças e seus papéis na formação da consciência moral.

5 Na teologia, uma noção relacionada à "consciência moral" é a da sindérese, isto é, o conhecimento habitual dos princípios universais práticos da ação moral. Enquanto a consciência moral é definida como um ditado da razão prática, decidindo que qualquer ação específica esteja correta ou errada, a sindérese é um ditado do mesmo motivo prático que tem por objetivo os primeiros princípios gerais da ação moral [25].

6 No campo da conduta moral, existem várias verdades geralmente aceitas por uma pessoa normal, por exemplo, "não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você", "os pais devem ser honrados ", etc.

7 Exemplos de tais casos são aqueles que possuem famílias famintas e por isso roubam, cometem um ato criminoso para salvarem suas próprias famílias da morte. Isso é diferente daquele que rouba uma propriedade pública para aumentar a própria fortuna. No primeiro caso, porém, a pessoa poderá ser presa e poderá sobreviver à provação sem consequências para a saúde. A segunda pessoa, no entanto, terá que suprimir a sua consciência moral para parar de incomodá-lo e, portanto, terá consequências para a saúde, pois ele teme ser descoberto e sente ansiedade sobre o que fez.

8 Sabe-se que, no nível filosófico, o conceito de livre arbítrio está muito ligado ao conceito de responsabilidade moral.

9 Além disso, é a partir de um nível espiritual religioso ou superior que é possível falar sobre os diferentes tipos de consciência moral: uma consciência boa, uma consciência má ou contaminada, uma consciência fraca, consciência insensível.

10 Robert K. Vischer da Universidade de St. Thomas Escola de Direito em Mineápolis explora a noção legal de sociedade civil como um mercado moral onde as competições das convicções morais e reivindicações da consciência moral são permitidas a operarem sem que seja invocado o trunfo do estado do poder e, permitindo assim, uma vida pública saudável e comprometida [26].

 

Conflito de interesses​ - nada declarado.

 

Referências

 

1. Bogen, JE. On the Neurophysiology of Consciousness: Part II. Constraining the Semantic Problem​, 1995; http://www.its.caltech.edu/~jboge n/text/co ncog95.htm.

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