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TOTALIDADE

 

Séries de tomadas de casos

Entrando em contato com o remédio correto

George Vithoulkas

Similia. Vol. 19. N.1. Junho 2007

 

Resumo

Para encontrar o remédio correto, o profissional deverá entender a importância dos sintomas fornecidos e daqueles contidos. Ele também deverá encontrar certas condições internas, se o paciente confiar nele.

Para encontrar o remédio homeopático correto, o similimum como é chamado, significa salvar o paciente do grande sofrimento. Isso significa que ele* recebeu uma grande benção: a possibilidade de se tornar saudável e feliz mais uma vez.

Uma pessoa saudável encontra-se livre nos três níveis de sua existência - mental, emocional e físico e, portanto, é capaz de sentir um bem-estar, uma condição vital para uma verdadeira felicidade. Portanto, encontrar o remédio correto para um indivíduo doente proporciona essa possibilidade, que é algo de valor incomensurável.

Gostaria de considerar, em primeiro lugar, as dificuldades que fazem parte dessa tarefa e, em segundo, as condições internas que deverão prevalecer por parte do paciente e do homeopata, a fim de maximizar a probabilidade de um resultado bastante favorável.

Dificuldades inerentes à busca do ​similimum

Primeiramente veremos as dificuldades que o profissional deverá superar para chegar ao remédio certo. Nós as vivenciamos em nossa prática diária e as conhecemos muito bem.

No início da tomada de um caso, tudo parece em branco; enquanto o recebimento da informação da pessoa doente está em andamento, tudo é possível, mas à medida em que você prossegue para uma investigação e avaliação mais profunda e completa do caso, sua mente é impelida à analisar e combinar os sintomas.

A maior dificuldade que encontrará será na avaliação dos sintomas.

Quais sintomas serão levados em consideração?

Quais sintomas serão ignorados?

A luta é difícil, não tem como saber se o paciente está fornecendo toda a história, ou se os sintomas que ele descreve são confiáveis ou se ele está omitindo informações substanciais!

Ele está omitindo algo pequeno, mas estranho ou peculiar e, portanto, um sintoma importante? Ele faz isso por:

falta de cuidado com seus sintomas?

falta de observação?

vergonha e timidez?

confunde certas doenças ou desconfortos como se não dissessem respeito ao médico?

Sente que o seu sintoma é insignificante ou irrelevante para o caso (mesmo que este sintoma "insignificante" seja a chave do caso)? Desconhece o fato de sentir ansiedade excessiva sobre sua saúde?

Desconhece o que é mais importante para ele, talvez um medo excessivo da morte, o medo do câncer, o medo de enlouquecer, que ele não queira reconhecer?

Os intelectuais tendem a dar um relato ambíguo sobre as condições de saúde na maioria das vezes. É estranho que tantos intelectuais tenham me dito que, como eles entendem, a homeopatia é muito difícil de praticar, pois requer pacientes "muito inteligentes" (como eles) que são capazes de descrever corretamente seus sintomas!

A verdade é o contrário. Pessoas simples e sem instrução tendem a descrever mais claramente seus sintomas do que os intelectuais, porque expressam diretamente seus sentimentos sem filtrá-los como fazem os intelectuais. Eles tendem a expressar a natureza tal como é, enquanto os outros tendem a distorcer a natureza, interpretando-a de acordo com seus caprichos.

As condições internas do paciente e do profissional necessárias para encontrar o similimum

Em segundo lugar, veremos as condições internas necessárias, quando o profissional e o paciente se encontram, para criar a grande chance para a ocorrência desse milagre para o paciente: encontrar o remédio correto, o similimum.

Se quiser ver a imagem verdadeira da alma de uma pessoa, será necessário que a mesma "se dispa" na sua frente. Antigamente, era comum que o médico fizesse o paciente se despir completamente, independentemente do problema, pois era simbólico na medicina materialista e o médico queria ver tudo o que fosse possível com os olhos, no nível físico e material.

O profissional homeopata trata a pessoa inteira - o físico, emocional e mental, e também as sutis energias do ser humano. Há também o interesse em ver os sintomas subjetivos do paciente, todos os sentimentos e pensamentos distorcidos, a fim de compreender a totalidade da estrutura interna da patologia.

Dessa forma, o paciente precisará ficar completamente "despido" perante o homeopata.

Mas para que alguém fique "despido" diante do profissional, para permitir que ele veja sua alma, suas dores, suas feridas, seus medos, seus desejos e perversões naturais, vê-lo totalmente nu no corpo, na mente e na alma há requisitos, entendidos implicitamente pelo paciente e explicitamente pelo profissional.

Em primeiro lugar, existe um desejo profundo e sincero de ajudar o paciente a ser curado.

Este desejo é uma qualidade inerente de um curador, e os pacientes parecem saber a diferença quando o profissional a possui. Caso possua esse desejo, mesmo minimamente no início, o mesmo poderá ser aumentado pelos anos de experiência e dedicação que seguirão depois de ter visto os resultados positivos da sua prescrição.

A maioria dos pacientes percebe rapidamente as intenções internas do curador. Se este for egoísta ou se possuir interesses próprios, ele não se abrirá, ele não "se despirá", independentemente do esforço colocado.

Existem profissionais que ficam impacientes com o paciente; como eles não conseguem enxergar o remédio certo, eles forçam o paciente a dizer o que eles querem para ajustarem o caso à uma ideia preconcebida de um remédio específico. Há outros que não conseguem desvendar o mistério e acabam prescrevendo vários remédios juntos na esperança de que um deles seja o correto.

O sinal de que o profissional possui o talento ou a capacidade de curar os doentes é o entusiasmo inicial gerado no coração do aluno ao ter o primeiro contato com a homeopatia. Posteriormente, será necessária uma grande paciência para ouvir adequadamente o sofrimento do paciente sem a interferência de ideias preconcebidas, sem o barulho de seus pensamentos e sentimentos.

O profissional consciente se sentará diante do paciente como se ele fosse um quadro branco sobre o qual os verdadeiros sintomas serão escritos. É vital o profissional não interferir com projeções de pensamentos e sentimentos subjetivos, e fazer um esforço verdadeiro para não julgar as informações fornecidas pelo paciente, com as quais possa discordar ou não aprovar pessoalmente.

Muitos pacientes, uma vez que encontrarem um ouvido compassivo, abrirão e confessarão coisas nunca ditas a ninguém antes. Tamanho é o poder do seu desejo de ajudar essa pessoa. O momento em que o paciente derrama seus sofrimentos para você, é um momento solene. Deixe que apenas o seu desejo de ajudar seja evidente.

Em segundo lugar, será necessário ganhar a confiança do paciente dentro do curto período de tempo, ou seja, na duração de uma consulta.

Como isso é realizado?

Embora não seja difícil, algumas condições precisam ser atendidas.

a)Primeiramente será necessário sentir a confiança de que poderá realmente ajudar, não importa o quão difícil seja um caso. Essa confiança surgirá a partir do conhecimento geral que será obtido como resultado de seus estudos. Essa confiança será a condição número um que fará com que o paciente mais grosseiro e fechado se abra e confie em você. Quanto mais inseguro o profissional se sentir sobre o caso, menor será a informação que ele receberá. Este é um fenômeno estranho, porque não são ditas palavras sobre o assunto. O homeopata não expressará em palavras que está encontrando dificuldades com o caso, mas existe uma atmosfera através da qual o paciente perceberá, em um nível subconsciente, o que está acontecendo, seja positivo ou negativo. Mesmo um profissional falsamente cheio de segurança fará com que o paciente sinta confiança nele. Inúmeros são os casos em que as pessoas são exploradas por charlatães que parecem ter uma confiança absoluta em seus "medicamentos", independentemente de serem eficazes ou não.

b)Em segundo lugar, deverá mostrar um profundo conhecimento da patologia do caso em questão. Dessa forma, você será capaz de demonstrar que a patologia é perfeitamente compreendida por você. Para ter essa qualidade, não será necessário apenas ter um conhecimento profundo da medicina clínica, mas deverá ser também capaz de combinar esse conhecimento com o conhecimento da matéria médica e com a sua experiência clínica.

c)A terceira condição será uma simpatia mútua ou "homogeneidade", que poderá ocorrer espontaneamente ou ser desenvolvida à medida que segue o processo da tomada do caso.

Essa confiança e abertura de sua parte não devem ser confundidas com familiaridade superficial e exposição barata de carinho. Pelo contrário, significa estabelecer uma conexão não verbal que permita uma comunicação livre e profunda.

Esta é uma condição muito afortunada tanto para você quanto para o paciente. Como a confiança é estabelecida inconscientemente, o paciente se sentirá seguro e, portanto, será capaz de expor suas vulnerabilidades e falar a respeito da parte mais profunda do seu íntimo.

Deve-se dizer também que, se essa simpatia tiver uma direção para o erótico, não haverá chance de o indivíduo ser ajudado pelo curador, pois o curador estará numa procura para "obter" do paciente, apenas.

Na minha experiência de ensino, vi muitos estudantes que ficaram entusiasmados com os ensinamentos e pareciam compreender o material muito bem, mas não conseguiam aplicá-los ao se depararem com os casos, por não possuírem essa qualidade. Esses indivíduos se voltarão para outras vias para expressarem os seus talentos, como pesquisas ou carreiras acadêmicas, nas quais poderão se destacar; eles nunca se tornarão bem sucedidos na prática da homeopatia clássica.

Lembro-me de um exemplo característico dos meus anos de estudos na Índia. Na faculdade em que eu estudava na época, tínhamos um professor de matéria médica que conseguia reproduzir de cor, com grande riqueza de detalhes, todos os remédios e o fazia sem qualquer auxílio das anotações. Este professor era totalmente incapaz de combinar e aplicar esse conhecimento aos pacientes. Todos os alunos sentiram isso, e ninguém o procurava para solicitar ajuda nos casos que eles tinham com um problema de saúde.

Não se deixe seduzir por pensar que, por alguns pacientes terem sido curados sem todos esses requisitos, você poderá ser bem sucedido através do blefe.

Em vez disso, será a ausência de nova chance para o paciente, ou por não ter a possibilidade de comparar, já que o mesmo não experimentou o calor do curador realmente interessado contra a frieza de um examinador intelectual frio com uma aparência profissional.

d) A quarta condição será o respeito pela liberdade e integridade do paciente. Não tente intrusar e violar sua alma por força rude apenas por querer encontrar o remédio. Não tente investigar as coisas por curiosidade, ou por vontade de ver semelhanças em sua própria vida e justificar-se. Se fizer isso, você não conseguirá encontrar o remédio correto na maioria das vezes.

A partir do momento em que a informação fornecida tenha sido suficiente para prescrever com segurança, o profissional deverá interromper imediatamente suas consultas. Você poderá pensar que existiram outros eventos interessantes que o paciente pudesse relatar, especialmente no que diz respeito a seus momentos particulares, mas você deverá abster-se de perguntar, pois esta informação adicional não será crucial para encontrar o remédio.

Uma terceira condição interna será possuir uma grande perseverança na busca dos sintomas, especialmente em casos difíceis.

Muitas vezes meus alunos ficaram exasperados ao acompanharem a tomada de um caso, pela minha perseverança para encontrar os sintomas-chave para confirmar o remédio correto. A menos que possua essa qualidade, acabará perdendo muitos casos. Na frustração, você desistirá e escolherá um remédio, mesmo quando não tiver certeza sobre sua exatidão. Será melhor dizer não saber o que fazer do que conscientemente dar a prescrição errada.

A última condição interna que eu gostaria de discutir aqui é o momento silencioso de meditação.

Quando o paciente tiver fornecido todas as informações necessárias e o profissional estiver com as peças em mãos e juntando-as, este será um momento de análise e síntese da informação. Será melhor realizar este processo com um momento de silêncio interno, que poderá parecer uma pausa sem sentido ou uma meditação. Você ficará em silêncio por algum tempo. O paciente o perceberá como uma lacuna no processo, mas nunca ficará irritado por isso.

Você poderá estar consultando o repertório ou o seu computador, e o paciente ficará pacientemente à espera do seu próximo passo.

Através deste processo de construção da informação em uma imagem do remédio, de repente o remédio certo “clicará” em sua mente e assim, você saberá que terá chegado à resposta correta.

O milagre foi realizado!

É um momento excelente, que proporciona uma satisfação enorme ao profissional, mesmo antes de ter visto o resultado real de sua prescrição.

Quando este clique ocorre, o homeopata sabe que o paciente ficará bem, pois ele tem a certeza de ter encontrado o remédio certo.

*O gênero masculino foi usado exclusivamente para fins de conveniência e não se destina à discriminação em relação ao gênero.

George Vithoulkas leciona acerca da medicina homeopática desde 1967. Ele possui cadeiras em várias universidades e foi vencedor do Prêmio Nobel Alternativo em 1996 por seus esforços para atualizar a homeopatia nos padrões científicos e, em geral, ele é o principal responsável pelo ressurgimento mundial da homeopatia na Europa e nos EUA desde a década de 1960.

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Se influências de doenças suficientemente poderosas ocorrerem na vida de um indivíduo, o mecanismo de defesa irá se enfraquecendo de maneira progressiva em camadas. Essas camadas de predisposição são chamadas, na homeopatia, de "miasmas", tornando-se fatores importantes para qualquer médico que cuide de doenças crônicas.

Parágrafo 72 do Organon:

"As doenças peculiares à humanidade pertencem a duas classes. A primeira inclui processos morbíficos rápidos causados por estados e distúrbios anormais da força vital; essas afecções geralmente completam seu curso num período breve, de variação durável, e são chamadas de doenças agudas. A segunda classe abrange as doenças que, frequentemente, são insignificantes e imperceptíveis no começo; mas, de uma forma que lhes é característica, elas agem de modo deletério sobre o organismo vivo perturbando-o dinâmica e insidiosamente, e minando-lhe a saúde a tal ponto que a energia automática da força vital, destinada à preservação da vida, pode fazer frente a essas doenças apenas de forma imperfeita e ineficaz; no início, bem como durante o seu progresso. Incapaz de extingui-as sem auxílio, a força vital é impotente para prevenir seu crescimento ou sua própria deterioração, resultando na destruição final do organismo. Estas são as chamadas doenças crônicas."

Na homeopatia de Hahnemann a palavra "miasma" significa os efeitos de micro-organismos na força vital inclusive os sintomas que são transmitidos às seguintes gerações. Estes miasmas crônicos são capazes de produzir doenças degenerativas, doenças autoimunes e levar o organismo para distúrbios de imunodeficiência.

Hahnemann notou que cada uma das doenças crônicas tem três fases, uma fase primária, estágio latente e um estado secundário ou terciário. Os efeitos desses miasmas passaram então de uma geração para a próxima geração por herança e causaram predisposições a certas síndromes de doenças.

Os três miasmas crônicos que Hahnemann introduziu em 1828 foram chamados Psora (miasma da coceira), Sicose e Sífilis. Hahnemann publicou sua teoria miasmática muito antes da presença de microrganismos ter sido amplamente aceita, de modo que a maioria dos praticantes achou difícil entender uma teoria tão sofisticada sobre o contágio.

Em resumo, os miasmas hoje são denominados como predisposições genéticas e a análise das predisposições genéticas são importantes para um entendimento melhor sobre o nível de saúde do paciente e a profundidade da doença manifestada. É apenas uma teoria que orienta o raciocínio em relação à profundidade da doença e sua cronicidade.

Nunca prescrevemos com base nos miasmas e sim nos sintomas apresentados pelo paciente.

Recomendamos a leitura dos livros de George Vithoulkas: páginas 53-54 do livro"Níveis de Saúde", cap. 9  do livro "Ciência e Cura" e o livro “Doenças crônicas” de Hahnemann.

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Vithoulkas G*, Muresanu DF**

*International Academy of Classical Homeopathy, Alonissos, Greece

** “Iuliu Hatieganu” University of Medicine and Pharmacy, Department of Neurosciences, Cluj-Napoca, Romania Correspondence to: George Vithoulkas, Professor of Homeopathic Medicine International Academy of Classical Homeopathy, Alonissos, Northern Sporades, 37005, Greece E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

Recebido: 14 de Outubro de 2013 – Aceito: 6 de Janeiro de 2014

 

Resumo

 

Embora a consciência tenha sido examinada extensivamente em seus diferentes aspectos, como na filosofia, psiquiatria, neurofisiologia,neuroplasticidade, etc., a consciência moral é um aspecto igualmente importante da existência humana, que continua como desconhecido em grau elevado, como um elemento quase transcendental da mente humana e a mesma não foi examinada tão completamente quanto a consciência e, em grande parte, continua a ser uma "terra incógnita" em relação à sua neurofisiologia, topografia cerebral, etc. A consciência moral e a consciência fazem parte de um sistema de informação que rege a nossa experiência e o processo da tomada de decisão. A intenção deste artigo será definir esses termos, discutir sobre a consciência a partir do ponto de vista neurológico e da física quântica, a relação entre a dinâmica da consciência e neuroplasticidade e destacar a relação entre a consciência moral, o estresse e a saúde. 

Palavras-chave: consciência, correlação neuronal da consciência, neuroplasticidade, consciência moral, livre arbítrio

 

Artigo original em inglês​: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3956087/

 

Consciência

 

Os significados dos dois termos "consciência moral" e "consciência" muitas vezes são confusos e incompreendidos por muitas pessoas.

 

Este artigo é um esforço para esclarecer esses significados e também para mostrar o papel de uma "consciência limpa" ou uma "consciência pesada" na saúde e na doença.

 

A "consciência" é a função da mente humana que recebe e processa as informações, as cristaliza e depois as armazena ou rejeita com a ajuda dos:

1. Os cinco sentidos

2. A capacidade de raciocínio mental

3. Imaginação e emoção

4. Memória

 

Os cinco sentidos permitem que a mente receba a informação, em seguida, a imaginação e a emoção a processam, a razão a julga e armazena a memória ou a rejeita.

 

As partes exatas do cérebro humano [1] onde essas funções ocorrem foram supostamente definidas pela neurofisiologia [2]. Uma observação importante é que quanto mais informações for capaz de reunir e processar, mais "ciente" e mais "consciente" o indivíduo se tornará sobre o mundo interno e externo [2]. A percepção e a vigília representam os dois principais componentes da consciência. A percepção é definida pelo conteúdo da consciência e a estimulação é definida pelo nível de consciência. Ele abrange a autoconsciência, que percebe o mundo interno de pensamentos, reflexão, imaginação, emoções, o sonhar acordado, bem como a conscientização externa, que percebe o mundo exterior com a ajuda dos cinco sentidos. Do ponto de vista neurológico, a consciência compreende um espectro de estados que vão desde os estados fisiológicos até os estados de comprometimento da consciência, os quais são monitorados por critérios específicos incluídos na Glasgow Coma Scale, mas compreende também os estados modificados ou por auto-treinamento (meditação transcendental) ou por ingestão de drogas.

 

Estudos neuroanatômicos revelaram numerosas estruturas implicadas na consciência, as quais foram muito bem descritas pela notável revisão de De Sousa sobre o conceito multidimensional da consciência [3]. Uma estrutura essencial que medeia a estimulação é o sistema ativador reticular ascendente (SARA), que compreende fibras específicas do neurotransmissor dos núcleos reticulares do tronco encefálico que estão conectados ao córtex através de vias talâmicas e extra-talâmicas e que se projeta para o hipotálamo e o prosencéfalo basal [4,5]. Após o SARA, outras estruturas importantes na consciência são: a amígdala, que modula memória, atenção, emoção e funções cognitivas mais elevadas, bem como o cerebelo, que modula função executiva, cognição e emoção [6]. Tanto o córtex pré-frontal e precuneus parecem estar correlacionados com a autopercepção e a metacognição [7,8]. Além disso, o córtex precuneus e pré-frontal junto com a junção temporoparietal e giro cingulado anterior representam áreas da função cerebral implicadas no "modo padrão" durante o estado de descanso consciente [9]. A conectividade frontoparietal e o tálamo são considerados os correlatos neurais mais importantes da consciência. A conectividade frontoparietal está implicada na manutenção da consciência, na atenção e na seleção comportamental das informações recebidas e armazenadas [10]. O tálamo é a estação de retransmissão final para dados perceptuais antes de atingirem o córtex. Ele também desempenha um papel fundamental na atividade cortical moduladora [11]: o tálamo e o córtex estão conectados de forma recíproca e essa conexão parece ser responsável pelos processos cognitivos superiores. Além disso, o núcleo reticular talâmico (NRT) parece controlar a sincronização tálamo-cortical [12]

 

Uma teoria muito diferente da correlação neural da consciência, a qual assume que a consciência consiste em entidade única e unificada, é a teoria das consciências múltiplas com três níveis hierárquicos: microconsciência, macroconsciência e a consciência unificada [13].

 

Uma das teorias múltiplas da microconsciência considera que a unidade funcional da consciência consiste em uma configuração neuronal triangular, cuja organização não é restringida por limites anatômicos convencionais. Essas organizações variam de tamanho de um momento para o outro, pois a cada momento encontra-se correlacionado com diferentes graus de consciência. A complexidade e dimensão destas composições dependem da sincronicidade de suas sinapses (conhecidas como sinapses de Malsburg), a força do gatilho que inicia sua sincronia transitória, e da disponibilidade de neurotransmissores [3,14].

 

Além das descrições neurológicas da consciência que consideram que a consciência seja gerada a nível neuronal, existe a abordagem da física quântica, governada pela física clássica, que confere uma visão mais dinâmica, mas que também dá origem a várias controvérsias [15]. De acordo com a visão da física quântica, a consciência depende da auto-observação e é continuamente auto-criada por processos inconscientes que estão constantemente vindo à existência através da autoconsciência, como o ato de observar um elétron, concretizado pelo colapso da função onda [16]. Essa imagem da consciência permite a coexistência de "ideias múltiplas e meia-formadas que flutuam abaixo do limiar da percepção ao mesmo tempo" aguardando o processo da auto-observação para acabar com essa sobreposição e concretizar uma ideia única [17]. Tal construção dinâmica implica numa mudança contínua na organização do cérebro. A neuroplasticidade e a consciência estão conectadas bidirecionalmente: com a consciência, por um lado, sendo o resultado da crescente complexidade da conexão de alguma atividade e, por outro lado, reorganizando as conexões cerebrais através das atividades de aprendizagem [18]. O cérebro consciente encontra-se em um estado incessante de aprendizagem, ele aprende como descrever e redescrever a sua própria atividade para si mesmo, desenvolvendo sistemas complexos de metarepresentações [19]. Além disso, o impacto dinâmico da consciência sobre a conexão cerebral continua além da vigília e o sonho também exerce um importante impacto sobre as redes neuronais [3,20].

 

Um outro aspecto importante da neuroplasticidade na consciência é representada pelo estado modificado da consciência durante o processo de atenção plena. Do ponto de vista da neurociência, a prática de focalizar a atenção produz mudanças mensuráveis na atividade do cérebro espontâneo, aumentando as frequências gama [21,22]. Estas mudanças eletromagnéticas são fundamentadas pelos estudos de imagens que demonstraram as mudanças dinâmicas na substância branca, como aumento da mielinização e conectividade [23] e o aumento da espessura cortical [24].

 

Consciência moral

 

Devemos lembrar que os mecanismos da "consciência" são complexos e intrincados, enquanto os funcionamentos da "consciência moral" são muito mais simples. O conceito de "consciência", como comumente usado em seu sentido moral, é a capacidade inerente de todo ser humano saudável perceber o que é certo e errado e, na força dessa percepção, controlar, monitorar, avaliar e executar suas ações [25]. Tais valores como certo ou errado, bom ou mau, justo ou injusto existiram ao longo da história humana, mas eles também são moldados pelos ambientes culturais, políticos e econômicos de um indivíduo 3. Quanto mais o nosso estado de consciência moral interior identificar-se com a percepção mais elevada desses conceitos, como: o bom, correto e justo e quanto maior for o nosso grau de "Consciência moral", menor estresse físico será experimentado ao sentirmos que agimos de acordo com esses conceitos 4. Pode-se dizer que a "consciência moral" 5 é o grau de integridade e honestidade de cada ser humano, pois ela monitora e determina a qualidade de suas ações. Quem age com uma "consciência limpa" tem a vantagem de sentir a paz interior, que é um sentimento que atenua os efeitos fisiológicos adversos experimentados em tempos de estresse. A consciência moral é a "autoridade máxima" e avalia as informações para determinar a qualidade de uma ação: boa ou maligna, justa ou injusta e assim por diante. Consequentemente, a consciência moral é mais elevada do que a consciência e, além disso, ela possui a capacidade e autoridade de decidir como a informação será usada, seja para o bem ou para o mal. No entanto, a consciência moral é geralmente influenciada e modificada em suas decisões pelos instintos naturais dos seres humanos para a "sobrevivência" e "perpetuação". Em outras palavras, a consciência moral determina as nossas decisões finais para as ações após a avaliação de todos os parâmetros acima, em uma fração de segundo [7].

 

A "função sistêmica" do cérebro

 

Todo esse processo (informação -consciência - percepção - consciência moral) deve ser entendido em sua totalidade como um conjunto complexo, contínuo e integrado de funções em todos os seres humanos saudáveis. Se alguma parte dessas funções estiver defeituosa ou deixar de existir, todo o sistema sofrerá ou poderá até mesmo colapsar. Isso demonstra a totalidade, a coerência e a continuidade da estrutura do cérebro humano, e isso significa que, embora possamos teoricamente distinguir entre as funções para fins de pesquisa e compreensão, essas funções, de fato, operam como um todo sistêmico, com uma interdependência absoluta entre as partes supra mencionadas.

 

O livre arbítrio

 

Podemos decidir agir de acordo ou contra a nossa consciência moral a qualquer momento. De fato, essas são as nossas únicas opções. É apenas dentro deste quadro em que a "liberdade de escolha" poderá existir. Isso significa que as decisões e ações que estejam de acordo com os ditames da "consciência moral" do indivíduo poderão levar a uma evolução e aperfeiçoamento dessa consciência, como resultado de uma paz mental interior. Tamanho é o esforço de todas as pessoas verdadeiramente espirituais. Por outro lado, se alguém agir contra a própria consciência moral, isso poderá levar a uma "involução" e um sentimento de ter uma consciência perturbada. Neste caso, o "diretor e juiz geral torna-se menos distinto ou mesmo quiescente; sua voz não poderá ser "ouvida", e isso permitirá que os instintos inferiores ganhem a parte superior do comando para agirem em conformidade. Nesta condição, um processo começa a criar uma "irritação" interna, ou "coceira" interna, que não permite um momento de paz. Por fim, as ansiedades e as fobias se manifestam, e elas são sintomas prodrômicos de um estado de saúde prejudicado. Isso acontece em nossas sociedades contemporâneas, nas quais muitos indivíduos inicialmente saudáveis que se tornaram figuras de destaque, como os políticos, jornalistas, policiais e juízes - aqueles que detêm o poder sobre outros em suas mãos, mas não possuem força moral suficiente - sucumbem à corrupção generalizada do nosso tempo. Em vez de usarem seus poderes para o benefício das pessoas, eles os utilizam apenas para os ganhos pessoais. Este não é o caso de todos, é claro, mas aqueles que se posicionarem contra tal tendência ficarão, finalmente, isolados e impotentes. E se a consciência moral encontrar-se sob a pressão dos instintos básicos e apresentar-se embotada, o ser humano descerá cada vez mais para um estado semelhante ao de um animal e será então forçado a servir exclusivamente os seus próprios instintos inferiores. Neste estado comprometido, as informações que um indivíduo recebe são avaliadas e utilizadas de acordo com o que é comumente chamado de "interesse próprio", um termo que assumiu o status de uma "lei divina" nos tempos de hoje. Se alguma das funções básicas, como a imaginação, a razão ou a memória forem reduzidas ou perdidas devido a alguma doença ou lesão, então o processo da percepção sofrerá, e todo o sistema poderá, por fim, colapsar. Neste caso, a consciência moral poderá não funcionar mais, o que ocorre nos casos da esquizofrenia, da doença de Alzheimer e nos ferimentos cerebrais graves, por exemplo. Isso nos leva à conclusão de que a habilidade funcional geral do cérebro (informação consciência-consciência moral) leva à decisão e às ações. As características desta habilidade são as seguintes: ela possui uma natureza hierárquica (suas variadas funções são de ordem mais elevada ou mais baixa); Apresenta um caráter único devido a sua complexidade infinita; é integrada (se uma parte colapsar, todo o sistema poderá sofrer ou colapsar); e encontra-se continuamente em mudança (a nova informação é constantemente absorvida, afetando e diferenciando os níveis da consciência moral). A capacidade hierárquica do cérebro humano de tomar decisões finais e significativas é responsável pelo comprometimento de uma pessoa na busca por Deus, assim como os monges, adeptos e místicos, ou pela busca da Verdade, como fazem os filósofos e cientistas, ou de enganar os outros, como os criminosos. Desta forma, a consciência moral formula cada nível de experiência, do mais baixo ao mais alto, chegando até ao transcendental e sublime.

 

Essas experiências transcendentais, extramundanas de pessoas espirituais podem ocorrer enquanto a pessoa ainda gozar de boa saúde e, ao mesmo tempo, tempo, conseguir entender e perceber as informações complexas recebidas e, assim, tomar decisões e ações em frações de segundos. Pessoas que conseguiram um alto nível de consciência geralmente possuem um "propósito de vida mais elevado"; elas têm "visões que podem inspirar os outros" e visam sempre ajudar os "outros" ou a humanidade como um todo. É através desse processo que uma nova qualidade de consciência surge finalmente, para sacrificar o interesse próprio pelo bem comum. A experiência mostrou que aqueles indivíduos criados em famílias com atitudes fortemente morais raramente conseguem ignorar os ditames de suas consciências. A consciência moral, por ser a mais nobre função de nossa existência, constitui o fio que nos mantém em contato com a nossa natureza universal ou com a verdade objetiva ou com Deus ou como queira chamá-lo [9]. Consequentemente, a definição do "grau de consciência moral" que qualquer pessoa possua poderá ser determinado como se segue: é o grau em que "participamos" da Verdade objetiva, ou seja, o bem absoluto ou o absolutamente "certo" ou o absolutamente "justo". Realisticamente falando, os humanos não conseguem alcançar o absoluto. É possível apenas que se aproximem ou se afastem do absoluto, dependendo da qualidade de suas consciências morais. Infelizmente, esta aproximação relativa da Verdade poderá mudar dentro da mesma pessoa, às vezes de forma dramática. O grau da consciência moral, ou o quão próxima a consciência moral da pessoa encontra-se da Verdade depende, infelizmente, de dois fatores: a. A avaliação das informações recebidas e b. A necessidade do indivíduo em satisfazer seus instintos humanos.

 

Dizemos "infelizmente" porque é mais fácil para a consciência moral cair para um nível mais baixo, caso a escolha da pessoa seja para o conforto e interesse próprio. No contrário, é muito difícil atingir um nível mais elevado de consciência moral, pois o indivíduo já deverá ter adotado, através de longas lutas pessoais, o conceito de "sacrifício" dos interesses pessoais e conforto para alcançar um nível de consciência moral sempre ascendente.

 

A consciência moral atinge um nível mais elevado somente quando o "bem comum" é colocado acima dos "interesses próprios" [26]. Isso acontece de forma quase determinista. Exemplos de consciências morais elevadas são os adeptos de todos os tempos, com as suas experiências transcendentais, e todos aqueles que conseguiram domar suas paixões e buscaram a Verdade ou todos aqueles que sacrificaram suas vidas pelas sociedades em que viviam. Exemplos de baixa consciência são aqueles que conseguiram enganar, oprimir e aproveitar não apenas de algumas pessoas, mas das sociedades ou nações inteiras para o seu próprio benefício. Esses indivíduos são principalmente os políticos corrompidos cujas ações podem afetar as nações inteiras. Nós, como pessoas comuns, estamos em algum lugar entre estas duas categorias, e lutamos com dentes e unhas para mantermos uma condição um tanto equilibrada e para não calarmos a nossa consciência moral completamente. É uma luta diária, e geralmente perdemos muitas batalhas; consequentemente, a nossa saúde diminui até a morte completar a imagem.

 

Aqui, deve-se notar que a ação que traz a maior catarse e libertação interna é a confissão realizada em uma espécie de situação pública. Os efeitos dos tratamentos psicológicos e psicoterapêuticos são profunda, as pessoas admitiram que se sentiram rejuvenescidas e em um melhor estado de saúde. As decisões das pessoas em cargos de autoridade de todos os tipos dependem desse estado de consciência moral individual, se as suas decisões serão destrutivas ou construtivas, as quais muitas vezes poderão afetar uma nação inteira ou todo o planeta. O embotamento da consciência moral é necessária para aqueles que atuam como autoridades, para que possam encontrar desculpas para promoverem suas medidas destrutivas como necessárias e construtivas. Muitas guerras agressivas, especialmente nos últimos 50 anos, foram executadas em nome dos ideais democráticos, enquanto as vítimas incluíram milhões de pessoas e eles causaram sofrimento em inúmeros outros. Isso mostra o quão insalubre os nossos líderes se tornaram. Um livro impressionante foi escrito pelo Prof. David Owen, "Na doença e no poder. Doenças dos chefes dos Governos nos últimos 100 anos", descreve exatamente essa ideia, assim como o discurso do Prof. J. Toole, "Saúde Neurológica de Líderes Políticos" no 2º Congresso mundial sobre as Controvérsias na Neurologia (Atenas, 2008) [27,28]. Consequentemente, quanto mais os seres humanos dominarem suas paixões distanciando-se dos instintos básicos, quanto mais suas consciências morais evoluírem, atingindo um nível mais elevado, os indivíduos sentirão que estão vivendo em um estado de bem-aventurança. Esta evolução da consciência moral é um esforço sem fim, que continua por toda a vida de uma pessoa e, por isso, na minha opinião, a consciência moral nunca será definida como pertencente a uma certa parte do cérebro ou como um complexo quimicamente complexo, pois o cérebro muda e evolui exatamente por causa desses processos. Sugerimos que esses conceitos possam formular a "matéria-prima" de uma discussão que examinaria se a consciência moral encontra-se dentro do cérebro; se é apenas o resultado de um composto químico ou algo diferente, se reside além da estrutura cerebral, em uma dimensão transcendental; ou se as duas situações são necessárias e verdadeiras.

 

Conclusão

 

1 A consciência também é referida, no contexto de neurofisiologia, como "consciência subjetiva" [1]

2 A noção de consciência ou "vida interior subjetiva" tem sido abordada também a partir do ponto de vista filosófico e religioso, com propostas religiosas que abrangem principalmente as convicções metafísicas e propostas filosóficas, como os modelos teóricos especulativos [2].

3 Certamente, existem diferenças na consciência moral dos esquimós, japoneses, africanos, asiáticos, europeus, norte-americanos, e assim por diante, tamanha são as diferenças em relação ao certo e o errado em relação às situações da vida particular. No entanto, todas as culturas sabem e concordam com alguns conceitos básicos em relação à moralidade.

4 A formação da "consciência moral" ao longo do tempo é a maior característica espiritual dos seres humanos. Ela foi formulada através de um complicado processo de observação, experiência em geral, e em particular, do sofrimento. Este estímulo específico para o desenvolvimento da doença deverá ser um tema principal nos ensinamentos das instituições médicas para que aprendam e compreendam as baseados nessa realidade, seja ela admitida ou não. O mesmo fato deu poder a todas as religiões que possuem em suas práticas o ato da confissão. Após uma confissão honesta e doenças e seus papéis na formação da consciência moral.

5 Na teologia, uma noção relacionada à "consciência moral" é a da sindérese, isto é, o conhecimento habitual dos princípios universais práticos da ação moral. Enquanto a consciência moral é definida como um ditado da razão prática, decidindo que qualquer ação específica esteja correta ou errada, a sindérese é um ditado do mesmo motivo prático que tem por objetivo os primeiros princípios gerais da ação moral [25].

6 No campo da conduta moral, existem várias verdades geralmente aceitas por uma pessoa normal, por exemplo, "não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você", "os pais devem ser honrados ", etc.

7 Exemplos de tais casos são aqueles que possuem famílias famintas e por isso roubam, cometem um ato criminoso para salvarem suas próprias famílias da morte. Isso é diferente daquele que rouba uma propriedade pública para aumentar a própria fortuna. No primeiro caso, porém, a pessoa poderá ser presa e poderá sobreviver à provação sem consequências para a saúde. A segunda pessoa, no entanto, terá que suprimir a sua consciência moral para parar de incomodá-lo e, portanto, terá consequências para a saúde, pois ele teme ser descoberto e sente ansiedade sobre o que fez.

8 Sabe-se que, no nível filosófico, o conceito de livre arbítrio está muito ligado ao conceito de responsabilidade moral.

9 Além disso, é a partir de um nível espiritual religioso ou superior que é possível falar sobre os diferentes tipos de consciência moral: uma consciência boa, uma consciência má ou contaminada, uma consciência fraca, consciência insensível.

10 Robert K. Vischer da Universidade de St. Thomas Escola de Direito em Mineápolis explora a noção legal de sociedade civil como um mercado moral onde as competições das convicções morais e reivindicações da consciência moral são permitidas a operarem sem que seja invocado o trunfo do estado do poder e, permitindo assim, uma vida pública saudável e comprometida [26].

 

Conflito de interesses​ - nada declarado.

 

Referências

 

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26. Vischer RK. Conscience and the Common Good. Reclaiming the Space Between Person and State, 2010​, Cambridge University Press, New York.

27. Owen D. In sickness and in power: illnesses in heads of government during the last 100 years​, 2008, Methuen Publishing, London.

28. Toole J. Neurological Health of Political Leaders, 2008, Speech in the 2nd World Congress of Controversies in Neurology, Athens http://comtecmed.com/cony/200 8/Docume nt.aspx?did=58. Artigo original em inglês disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/ pmc/articles/PMC3956087/

 

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O Livro Nobel das Respostas​: Dalai Lama, Mikhail Gorbachev, Shimon Peres e outros vencedores do Prêmio Nobel Respondem algumas Perguntas Mais Intrigantes da Vida Feitas por Crianças

 

Por Bettina Stiekel (Editor), Paul de Angelis (Tradutor), Elisabeth Kaestner (Tradutor), Jimmy Carter (Introdução)

 

Publicado em 30 de Dezembro de 2003 pela Chemical Heritage Foundation. 255 páginas ISBN 0689863101

 

(ISBN13: 9780689863103)

 

POR QUE EU ADOEÇO?

George Vithoulkas Pag. 180-191

A sua questão soa simples, minha querida criança. Mas na verdade, é mais uma pergunta difícil neste livro, difícil até mesmo para os adultos responderem. A resposta mais simples seria dizer que a bactéria ruim, organismo que entra no corpo através do ar ou das aberturas da pele, nos adoece. Tenho certeza de que já ouviu essa resposta dos seus professores, pais ou até mesmo do pediatra. Por sua vez, você poderá ter perguntado: Se for a bactéria, sem exceção, que realmente nos adoece, então por que o meu pai não adoece quando minha mãe tem amigdalite estreptocócica, inflamação causada pela bactéria Streptococcus? Na verdade, não sabemos. Ambos, o seu pai e a sua mãe, dormem na mesma cama e a bactéria poderia mover-se de um para o outro sem problema.

 

Nós, médicos, sabemos apenas disso: as pessoas geralmente ficam doentes quando duas coisas se juntam: um agente externo que induz a doença (bactérias, um vírus, um veneno) na pessoa e uma receptividade interna, que também é chamada de "predisposição". No entanto, muitos médicos que foram formados pela medicina moderna negligenciam o segundo aspecto e concentram-se apenas na transmissão bacteriana da doença. Eles sabem que geralmente os nossos corpos produzem anticorpos, uma espécie de força policial na corrente sanguínea, que combatem os agentes estranhos na floresta. O que eles não sabem é o porquê algumas pessoas que se encontram doentes geralmente não produzem suficientemente esses anticorpos contra as bactérias ou vírus específicos.

 

A crença de que as doenças sejam causadas por bactérias pode ser uma das ilusões mais difundidas dos nossos tempos. Todas as pesquisas se baseiam nessa crença. Cientistas, médicos e executivos sacrificam tempo, esforço e dinheiro na batalha contra as bactérias.

 

Novos medicamentos para matarem as bactérias são procurados, explorados e produzidos. As medicações antibióticas são bons exemplos deste foco. É verdade que o paciente que os toma para um resfriado forte, recupera-se rapidamente da tosse. Mas os antibióticos não combatem apenas a bactéria da tosse. Como efeito colateral, eles também podem enfraquecer a capacidade do sistema imunológico de produzir os seus próprios anticorpos para combater todos os tipos de bactérias, a partir de dentro, de modo que o corpo poderá ser reinfectado mais facilmente . POR QUE EU ADOEÇO? George Vithoulkas

 

Muitos médicos argumentam que as taxas de mortalidade diminuíram significativamente em todo o mundo por causa da medicina moderna. Eles querem dizer que menos pessoas morrem de doenças que eram letais há cerca de cem anos. E isso é verdade. A poliomielite, por exemplo, mata muito menos pessoas nos dias de hoje. Mas se olharmos ao redor, vemos que outras doenças aumentaram tremendamente. A doença de Alzheimer, uma doença que faz com que as pessoas muito velhas esqueçam tudo pouco a pouco, está se espalhando atualmente quase como uma epidemia. Milhões de pessoas sofrem com isso e recentemente as pessoas mais jovens estão cada vez mais afetadas. Não é bom quando seu avô de sessenta e cinco anos não consegue se lembrar das coisas. Mas pior seria se a mesma perda atingisse o seu pai, que é muito mais jovem.

 

As doenças nunca antes conhecidas surgiram nos últimos vinte anos. Talvez tenha ouvido falar de um colega de classe que tenha "DDA", o chamado distúrbio do déficit de atenção, um problema totalmente novo. Essas crianças não são mais capazes de se concentrarem. Elas se sentem sempre inquietas, são ansiosas, não conseguem aprender com facilidade, e às vezes apresentam dificuldade na fala.

 

E assim, embora seja verdade que menos pessoas estão morrendo devido às doenças, também é verdade que surgiram novas síndromes de doenças completamente novas, mais complexas. Os médicos que exercem a antiga ciência chamada homeopatia acreditam que esses dois desenvolvimentos, o uso mais amplo e bem sucedido dos antibióticos e o surgimento de novos tipos de doença, estão intimamente relacionados. Por quê? Porque uma pessoa verdadeiramente saudável poderá viver uma vida longa e plena, sem que adoeça uma única vez. Eu conheci pessoas assim, isoladas nas montanhas do Cáucaso, na Ásia Central, elas vivem no meio da natureza, em regiões ultrapassadas que sofrem pouca ou nenhuma poluição ambiental, longe dos novos venenos artificiais (produtos químicos pulverizados nas culturas para matar os insetos, produtos químicos emitidos por milhões de latas de aerossol, produtos químicos despejados em rios pelas fábricas), que criam novas doenças que não existiam no passado.

 

Hoje, a maioria das pessoas vive em um ambiente sujo. Poluímos a água, o solo, os animais e, consequentemente, através dos peixes, legumes e carne que comemos, nos poluímos. A poluição traz doença. Ficamos doentes porque nossos corpos crescem cada vez mais impuros.

 

Na medicina homeopática, a ideia não é usar medicamentos para matar todas as coisas ruins em nossos corpos, as bactérias e os venenos ambientais. Os médicos homeopatas acreditam que os antibióticos e outros medicamentos produzidos quimicamente apenas suprimem os sintomas da doença, mas eles não são capazes de curar verdadeiramente a causa mais profunda da doença. Em vez disso, os médicos homeopatas pretendem criar condições em todo o organismo humano que tornem impossível a instalação e multiplicação da bactéria. Em outras palavras, tentamos reduzir a receptividade de um paciente às bactérias causadoras de doenças.

 

Foi um médico alemão que explorou pela primeira vez este caminho há cerca de duzentos anos. O nome dele era Samuel Hahnemann e os seus medicamentos eram eficazes para tratar não apenas as doenças como o resfriado comum, mas também problemas não bacterianos, como dor nas costas. Existem mais de mil remédios homeopáticos e todos eles POR QUE EU ADOEÇO? George Vithoulkas são substâncias naturais, como a Pulsatilla, a Belladona, o Natrum muriaticum, o Phosphorus, o Sulphur, o Mercurius. Nas quantidades corretas, eles fortalecem a vitalidade de uma pessoa doente. Os homeopatas, sempre querem curar toda a pessoa, o corpo, a alma e espírito e não apenas aliviar um sintoma.

 

Dessa forma, se você perguntar a um homeopata, como eu: por que as pessoas ficam doentes? Primeiramente eu precisarei explicá-lo como eu vejo a saúde. Aqui está a minha definição homeopática: a saúde é a liberdade total de uma pessoa nos níveis físico, mental e emocional. Por liberdade física, o reino corporal, significa ausência de dor física, um corpo saudável que simplesmente sente-se bem. Nos reinos mental e espiritual, a saúde significa não ser egoísta. Em outras palavras, pensar não só em si mesmo, nos amigos e na própria família, mas também preocupar-se com todos os outros seres humanos. No domínio emocional, a saúde significa liberdade de hábitos ou formas de sermos dependentes de substâncias ou comportamentos não saudáveis, como: fumar, fazer apostas, a necessidade de intimidar as pessoas, obsessão com algo. Quero dizer, qualquer paixão que interfira na capacidade de pensar e agir de forma clara e sóbria.

 

Agora, o que isso tem a ver sobre as causas da doença? Darei um exemplo: o nosso corpo físico adoece assim que consumimos alimento envenenado. Mas as pessoas são alimentadas não apenas pela alimentação material. Elas também precisam de alimentação mental e emocional. As emoções envenenadas como o ódio, o ciúme, o medo e a depressão nos tornam tão doentes quanto os pensamentos venenosos sobre como roubar coisas, prejudicar ou até mesmo matar alguém. Esses tipos de pensamentos deixam as nossas mentes doentes e, por fim, também os nossos corpos.

 

A minha própria vida foi beneficiada pela homeopatia. Fui um filho da guerra, precariamente alimentado e perdi meus pais durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial. Eu vendi cigarros em Atenas para ajudar a mim e a minha irmã. A condição da minha estrutura óssea era terrível, um dos discos da coluna vertebral foi danificado. Após a guerra, os médicos quiseram me operar e pelo risco de ficar paralisado pela cirurgia, eu simplesmente fugi. A dor ficou em mim. Mas quando eu tinha vinte e sete anos, encontrei um livro de Hahnemann e aprendi a me curar. E eu o fiz. Quando eu tinha quinze anos, os médicos havia me dado apenas mais alguns anos de vida e hoje eu tenho mais de setenta anos.

 

Mas voltando à pergunta. O estresse emocional pode enfraquecer o corpo e torná-lo vulnerável à doença. Sob o estresse, seja emocional ou físico, o organismo humano torna-se muito mais suscetível aos vírus, bactérias e microrganismos. Aqui está um exemplo: as pessoas que voam frequentemente respiram o ar muito ruim, este é um estresse físico. É por isso que dentro de dois ou três dias após fazer um vôo transatlântico, você poderá apresentar um resfriado forte. O seu corpo diz: "Você me tratou mal, e agora eu estou reagindo!"

 

Às vezes, o meu corpo me diz o mesmo e me castiga com a gripe. Embora eu não tome antibióticos, sei que viajar muito na minha idade é insalubre. Por que ainda faço isso, sabendo quão insalubre é o estresse? Porque, antes de morrer, quero convencer o mundo de todas as possibilidades oferecidas pela homeopatia. Pois eu vi quantas pessoas podem ser curadas pela homeopatia.

 

A medicina moderna é valiosa e necessária, especialmente nos casos de acidentes e doenças graves, como o câncer. Na minha opinião, no entanto, o medicamento moderno não POR QUE EU ADOEÇO? George Vithoulkas tem os meios adequados para regenerar, para realmente curar um corpo doente. Ele cuida dos sintomas da doença, a febre ou a dor de cabeça, por exemplo, sem curar o corpo em um nível muito mais profundo.

 

Na minha opinião, temos que entender os mecanismos das doenças antes que possamos realmente curá-las. Nenhuma doença é simplesmente o que notamos em seus estágios finais. A doença começa muito mais cedo, em reação a algum desequilíbrio no corpo. É um desequilíbrio de energias, de "espírito" que surge ao longo do tempo, em um distúrbio de um órgão ou outro. Se realmente quisermos entender o motivo pelo qual adoecemos, teremos que aprender a entender esses distúrbios de energia em um nível espiritual. Precisamos adquirir uma compreensão de como e o porquê os pensamentos e sentimentos venenosos influenciam o corpo. Os gregos antigos sabiam que essa influência devia ser muito forte, porque já falaram sobre a importância de uma mente saudável em um corpo saudável.

 

Se vivêssemos numa sociedade ideal, provavelmente seríamos mais saudáveis e mais felizes. Se quisermos saúde para nós mesmos, devemos criar também uma sociedade saudável, na qual nos preocupemos tanto com os outros quanto com nós mesmos. Em vez disso, lutamos com as guerras, discutimos e competimos um com o outro. Não poderemos ficar saudáveis enquanto não conseguirmos parar com nossa agressão interior e nossas atitudes negativas em relação aos outros seres humanos, pois não nos comportamos como se fôssemos todos filhos do mesmo grande criador.

 

A cura homeopática começa aqui, nesta fonte de doença. Mas o nosso entendimento não cresceu tanto quanto a nossa capacidade de curar.

 

Eu não sei se em algum momento eu serei inteligente o suficiente para encontrar a resposta definitiva à sua pergunta, mas tenho a intenção verdadeira de tentar, em um livro meu.

 


 

George Vithoulkas​ nasceu em 25 de julho de 1932. Ele recebeu o Prêmio Right Livelihood, também conhecido como o Prêmio Nobel Alternativo​, em 1996 pelo sucesso em divulgar o conhecimento da homeopatia. O Right Livelihood Award foi fundado em 1980 por Jacob von Uexkull, a fim de homenagear grupos de pessoas e indivíduos em todo o mundo que realizaram um excelente trabalho "em nome do nosso planeta e do nosso povo". Para compensar o Prêmio Nobel oficial, que von Uexkull viu como "orientado para o estabelecimento político e científico do mundo ocidental", o Prêmio Nobel alternativo existe para fortalecer as forças sociais positivas que seus representantes representam. Em uma cerimônia anual em Estocolmo no Parlamento sueco, a apresentação do prêmio ocorre em dezembro, geralmente no dia anterior à cerimônia do Prêmio Nobel.

Vithoulkas usou seu prêmio em dinheiro para estabelecer uma Academia na ilha grega de Alonnisos, que também oferece programas educacionais para médicos modernos de todo o mundo. Título original: The Nobel Book of Answers: The Dalai Lama, Mikhail Gorbachev, Shimon Peres, and Other Nobel Prize Winners Answer Some of Life's Most Intriguing Questions for Young People

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Quem somos

Prestar serviços que garantam às pessoas adquirirem conhecimentos sobre a arte da homeopatia clássica e assim poderem usufruir de seus benefícios, tornando-os capacitados a ajudar a um maior número de seres vivos a serem mais saudáveis e vivendo em harmonia.