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Entrevista com George Vithoulkas por Dimitris Konstantakopoulos, da Agência de Notícias de Atenas - Agência de Imprensa Macedônia (ANA-MPA)

Livro: A Nova Dimensão na Medicina de GV - editora Patakis Publicações

O desenvolvimento acelerado da Medicina no século XX, devido à implementação em larga escala de avanços na Química, Biologia e tecnologias aplicadas (eletrônica, tecnologia laser, etc.), parecia um milagre capaz de enfrentar alguns dos problemas mais dolorosos da história da humanidade.

Desde as "Décadas de desconfiança" (1960-80), houve vozes de protesto que questionavam a "estratégia" da Medicina tradicional – a qual suprime os sintomas e sem curar as suas causas. Tais vozes apontavam os sérios efeitos colaterais dos tratamentos e, especialmente, aqueles realizados com medicamentos químicos, maciçamente introduzidos na prática clínica após a Segunda Guerra Mundial.

Desde então, tem havido interesse crescente nos chamados métodos alternativos de tratamento, que tem avançado progressivamente apesar das objeções da Medicina convencional. Nestes se inclui a homeopatia, abordagem que prevaleceu em grande parte do mundo ocidental e durante o século 19 antes de desaparecer na obscuridade no século 20.

Foi George Vithoulkas, grego e Professor emérito da Universidade do Egeu e das Academias Médicas de Moscou e Kiev, Doutor Honoris Causa de várias Escolas Médicas, que promoveu o renascimento do conhecimento homeopático e o disseminou pelo globo, ainda que de modo incipiente. Ainda assim, trata-se de uma tendência importante no campo da medicina, que deve ser reconhecida e reintegrada da forma adequada, priorizando a individualização do tratamento. Ele foi homenageado com o "Prêmio Nobel Alternativo" (Right Livelihood Award) pela contribuição no restabelecimento da Homeopatia. George Vithoulkas fundou a International Academy of Classical Homeopathy na ilha de Alonissos e a Grécia tornou-se referência mundial nesta seara.

Na republicação do seu livro “A Nova Dimensão na Medicina”, editora Patakis Publicações, George Vithoulkas gentilmente concedeu entrevista ao Dimitris Konstantakopoulos, da Agência de Notícias de Atenas - Agência de Imprensa Macedônia (ANA-MPA)

- Sr. Vithoulkas, em seu livro você diz que a medicina convencional falhou na sua missão de prevenir ou curar as doenças crônicas e a situou como a principal responsável pela degeneração da saúde das pessoas. Por que você faz essas afirmações? Os defensores da Medicina convencional aduzem que eles tenham feito milagres, pois aumentaram consideravelmente a expectativa de vida.

Seria preciso uma obra extensa para responder tal pergunta, mas este pequeno livro que eu escrevi poderá dar algumas dicas.

O que quero dizer é que a Medicina convencional falhou na sua abordagem terapêutica. Ela tem feito grandes progressos na cirurgia e no campo da evolução tecnológica, mas tomou o caminho errado no que se refere à terapêutica, a qual está em uso e, muitas vezes, o abuso de medicamentos químicos e hormônios a fim de combater as condições especialmente crônicas.

É verdade que a Medicina convencional propiciou o aumento da expectativa de vida humana mas, ao mesmo tempo, degradou o estado geral de saúde e a qualidade de vida da população.

- O que você quer dizer com isso?  

O que sabemos agora é que as doenças crônicas graves podem ser suprimidas, mas não curadas. A supressão dos sintomas força o aprofundamento do processo da doença no organismo, ou seja, no nível emocional e no mental.

- Por favor, dê-nos um exemplo.  

Uma pessoa que recebe um tratamento supressivo para qualquer condição crônica corre o risco de manifestar distúrbios mentais e emocionais, tais como irritabilidade extrema, estresse, depressão, distúrbios sexuais, que inicialmente não parecem interferir na vida social e profissional da pessoa, mas, ao longo do tempo, a doença se concentra cada vez mais sobre os níveis mentais e emocionais e, quase tortuosamente e maliciosamente, mina a saúde geral da pessoa. Nas últimas décadas, estes efeitos têm surgido no mundo ocidental e a população vem sofrendo quase em sua totalidade de desvios e desordens mentais.

- Qual é a sua resposta aos que afirmam que a homeopatia e os "tratamentos alternativos" em geral, são uma forma arriscada de charlatanismo? Quais abordagens alternativas, que não seja a homeopatia, você abraça e quais você repudia ou não considera eficazes?

Tais simplificações são superficiais, “throwing the baby out with the bathwater” * para a criação de impressões. Hoje, existem centenas de "propostas terapêuticas" que não realizam nada, mas, ao mesmo tempo, enganam os ocidentais que sejam mentalmente fracos e sem instrução. Esta mentalidade única, agregando todas estas "opções" aliadas juntamente com certas formas alternativas sérias de tratamento, como a homeopatia, a acupuntura, a osteopatia, a quiropraxia, a dietética, higiene física, que são todas abordagens terapêuticas testadas e estabelecidas cientificamente, geram confusão de que sejam úteis a todas as pessoas, exceto aos pobres pacientes que se perdem neste labirinto de opções. Certamente, conforme o meu entendimento pessoal, cada um desses poucos sistemas terapêuticos mencionei, apresentam resultados em determinadas condições e em certas circunstâncias. A minha área de especialização é a homeopatia, a qual eu considero a opção terapêutica mais organizada e eficaz e que, provavelmente, cobre a maior gama de condições de saúde. No entanto, não devemos dar a impressão de que a homeopatia pode curar tudo ou que a sua prática é fácil.

- Você permanece absolutamente crítico à utilização de antibióticos, penicilina, cortisona, entre outros. No entanto, não são estes os medicamentos milagrosos, os meios necessários para tratar a infecção? O que seria de nós sem eles?

É verdade que muitas vezes estes medicamentos possam salvar as vidas das pessoas com infecções graves, mas isso não significa necessariamente que estes doentes não sofrerão os efeitos colaterais desses medicamentos, os quais poderão afetá-los pelo resto de suas vidas. Na doença crônica, no entanto, as coisas são muito piores. Quando alguém desenvolve uma doença crônica grave, o conselho do médico é que o paciente deverá aceitar que ele lidará com esta condição pelo resto da sua vida, com a ajuda de medicamentos que quase nunca curam, mas oferecem apenas o efeito paliativo.

É em certos casos assim que a homeopatia pode intervir e restaurar o equilíbrio perdido do corpo de modo que a pessoa não dependa de medicamentos químicos.

- Você não é o único que apresenta críticas para as bases dos sistemas de saúde e a forma como são organizados. No entanto, apesar da promoção de ideias como as suas, as coisas não mudaram o suficiente. A que você atribui isso?

Há um sistema de saúde global estabelecido pela Medicina padronizada que não pode entrar em colapso de um dia para o outro. Este sistema certamente sucumbirá um dia, uma vez que não está baseado em uma prática humana da Medicina que incida sobre a saúde das pessoas. Os interesses das indústrias farmacêuticas, as ambições dos cientistas da área médica, bem como a concorrência entre eles, o desejo por dinheiro e glória são tão fortes que a verdadeira preocupação pela medicina humana é secundária. Estamos falando sobre o caso do sistema de saúde estabelecido como um todo, mas não devemos, é claro, desprezar que os médicos, especialmente aqueles que trabalham em hospitais, que estejam lutando com auto sacrifício para ajudarem diariamente os seus pacientes.

- Em seu livro, você descreve o extremo egoísmo como um incentivo para a doença. Esta posição parece estar em contraste direto com a ideia estabelecida prevalecente na sociedade. Você está indo longe demais?

Este ponto de vista é o resultado da minha experiência no tratamento de milhares de pacientes. Enquanto tomava seus históricos clínicos, descobri o papel desempenhado pelo egoísmo na geração de doenças. Por exemplo, uma pessoa egoísta é afetada muito mais facilmente e muito mais gravemente do que uma pessoa modesta e humilde. Alguém que pensa que sabe tudo, torna-se em algum momento objeto de escárnio de outras pessoas, será profundamente magoado e assim, a dor será profunda e forte. O estresse de um insulto será enorme para uma pessoa egoísta, e há uma forte probabilidade nestes casos, o desenvolvimento de uma doença crônica à qual a pessoa está predisposta. Naturalmente, não só egoísmo que pode desencadear doenças crônicas inerentes, mas ainda assim constitui um fator importante. Eu diria certamente que, na medida certa, um "orgulho" saudável poderá ser útil, quando ele ajuda a manter a dignidade de uma pessoa. 

- Na sua opinião, qual é a relação entre a autoridade moral do ser humano, estado mental / espiritual e a saúde física?

Quanto mais “pé no chão”, modesto, e amável alguém for, menos risco corre para tornar-se doente devido ao estresse das injustiças, malícia e insultos dirigidos a ele. Uma pessoa que aprendeu a perdoar, mesmo quando descaradamente injustiçada, protege-se de desencadear a predisposição inerente do seu corpo à doença crônica, a qual a pessoa poderá desenvolver a qualquer momento, mas especialmente se o sistema imunológico for agravado por fortes emoções negativas.

- Como você explica as pessoas que geralmente não são consideradas pela sociedade por terem uma integridade moral particular, como muitos políticos. Pelo menos se nós acreditássemos nas pesquisas de opinião e o que tem sido dito sobre eles, contanto que parecem ter uma notável capacidade de sobrevivência? Em última análise, quem sobrevive melhor, o bem ou o mal?  

Esta é uma questão muito interessante que tem sido uma preocupação especial para mim também. Me parece que a batalha pelo poder exige que as pessoas devem ser muito fortes, muito saudáveis por natureza, desde o nascimento. Estamos habituados a ver este tipo de pessoas nas famílias políticas chamadas de "solidamente construídas”, onde o pai sucede financeira e socialmente pelo seu próprio mérito, mas depois de chegar ao poder, ele deseja mantê-lo indefinidamente, garantindo a autoridade e riqueza para todos da sua futura prole.

Uma vez que ele se agarra ao poder e almeja a permanência eterna, não só para si mas também para a sua descendência, a luta interna começa com a sua consciência até que ele consegue, finalmente, suprimir a voz da consciência para que ela pare de incomodá-lo. A partir daí, inicia-se um declínio sutil do corpo. Inicialmente, isso será manifestado com estresse, fobias, ataques de pânico e, posteriormente, terminará também em patologia física. Enquanto um político é conduzido pelo idealismo para salvar seu país, eles são salvos na saúde para evoluírem-se como personalidades. Quanto mais um político é liderado pelo auto interesse, menos apelo ao público, mais profundamente eles despencam pela primeira vez em sua carreira política e, e em seguida, em um nível físico e mental. Portanto, os políticos que nasceram com o privilégio de terem a melhor saúde possível, acabam mal e corruptos, à mercê de uma sociedade degenerada, para a qual eles contribuíram na sua criação. Estamos, é claro, falando sobre os políticos que exerceram o poder. Os que se desviaram do sistema em questão, como Ioannis Kapodistrias ou Nikolaos Plastiras, ou foram assassinados ou ostracismo.

- A pessoa normal doente é bombardeada com um conjunto de informações e propagandas, direta ou indiretamente, bem como as chamadas controversas e diferentes, tanto pela mídia quanto pelos médicos. Na sua opinião, o que uma pessoa deve fazer para orientar-se nesse ambiente, onde a confusão prevalece?  

Uma pessoa que permanece imparcial, que não se deixa enganar pela publicidade glamorosa, que não esteja atrás de ganhar dinheiro fácil e ter rápido avanço social, essa pessoa será capaz de julgar e avaliar adequadamente os fenômenos do nosso tempo e ela conseguirá manter-se saudável e tomar as decisões certas. Nossos avós eram essas pessoas. Um exemplo de uma pessoa profundamente saudável e criteriosa é um membro da Academia de Atenas, Konstantinos Despotopoulos, um homem extraordinário que está bem no seu 1030 ano de vida, bem como alguns de seus velhos amigos. Ele menciona em suas entrevistas que (nota: a entrevista com o Sr. Vithoulkas ocorreu antes da morte de Kon Despotopoulos) todos os gregos modernos deverão ouvir as suas entrevistas, se eles quiserem ter conhecimento do verdadeiro tipo de uma pessoa saudável... Pessoas de seu calibre estão se tornando cada vez mais raras, enquanto os outros, a maioria, será cada vez mais afetada em sua saúde por uma cultura sempre em degeneração, que confunde e degrada os seres humanos. 

- Como você avalia a situação atual e a crise no sistema de saúde grego? O que deveria ser feito? Como poderia homeopatia e as outras “abordagens ajudarem nesta crise?

Como você poderia esperar para ter um sistema de saúde saudável em um país que é tão doente e desgastado como a Grécia? A menos que a paisagem política mude drasticamente, não haverá qualquer solução verdadeira para o sistema de saúde.

Neste momento, todo o sistema é empurrado para uma privatização global da saúde e somente aqueles que tiverem os meios para custearem, encontrarão médicos e medicamentos. Quanto ao resto...

A situação mundial atual do comportamento absolutamente desumano, crueldade e barbárie anuncia a direção em que as coisas são conduzidas por aqueles que dirigem a evolução em todo o mundo. Definitivamente, eles não estão interessados em construir bons sistemas de saúde, uma vez que eles próprios sempre serão capazes de encontrar os melhores médicos e os melhores medicamentos. O restante se manterá questionando sobre a mesma pergunta essencial: quando essa sociedade se tornará verdadeiramente humana?

- Diga algumas palavras sobre o seu livro.  

Este livro levanta mais dúvidas do que fornece respostas para as principais questões relacionadas à saúde. Respostas adequadas e abrangentes surgirão um dia, quando todos nós tivermos percebido que a felicidade e a saúde não são encontradas no dinheiro ou no poder, mas sim no nosso interesse e no amor pelos nossos semelhantes. 

 

*Expressão idiomática que significa rejeitar as coisas úteis juntamente com as inúteis.

Avaliação do Usuário

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Contribuições dos autores:

Design do estudo A
Coleta de dados B
Análise estatística C
Interpretação de dados D
Preparo do manuscrito E
Pesquisa de literatura F Finacinamento G
EF 1 Seema Mahesh
AB 1 Mahesh Mallappa
CDE 2 Dionysios Tsintza
A 3 George Vithoulkas
1 Centre for Classical Homeopathy, Vijayanagar, Bangalore, Karnataka, India
2 Department of Orthopedics, General Hospital of Aitoloakarnania, Agrinio, Greece
3 International Academy of Classical Homeopathy, Alonissos, Greece

 

Correspondência Seema Mahesh, e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Conflito de interesses: Nada a declarar 

 


Série de casos

Paciente: -

Diagnóstico final: -

Sintomas: Lesões de pele

Medicação: -

Procedimento clínico: -

Especialidade: Dermatologia

Objetivo: Efeito do tratamento incomum ou inesperado Background: O vitiligo, também conhecido como leucoderma, é uma condição autoimune da pele que resulta na perda do pigmento de melanina. O vitiligo não é uma condição rara, mas é difícil de se tratar e está associada ao sofrimento psicológico.

Relato dos casos: Uma série de 14 casos de vitiligo é apresentada, os quais foram tratados com remédios homeopáticos individualizados baseados em compostos vegetais, animais ou minerais. Na série de casos, estão presentes 13 mulheres e um homem, com idade média de 29,8 anos e um acompanhamento médio de tratamento de 58 meses. O tempo médio entre o início do aparecimento de vitiligo e a primeira consulta em nossa clínica foi de 96 meses. O tratamento homeopático para os pacientes é holístico e foi realizado de forma individualizada, conforme descrito nesta série de casos. Imagens fotográficas da pele são apresentadas, de antes e após o tratamento.

Conclusão: Em 14 pacientes com vitiligo tratados com a homeopatia individualizada, os melhores resultados foram alcançados nos pacientes que foram tratados nos estágios iniciais da doença. Acreditamos que a homeopatia possa ser eficaz nos estágios iniciais do vitiligo, mas maiores estudos clínicos controlados são necessários nessa área.

Palavras-chave MeSH: Doenças autoimunes; Relato de caso; Terapias Complementares; Dermatologia;Homeopatia; Vitiligo

Abreviações: APC – Célula apresentadora de antígenos; CCL5 – C-C quimiocina ligante 5; CXCL12 – CXC quimiocina ligante 12; RE – Retículo endoplasmático; IL-1α – interleucina 1 alfa; IL-1 – interleucina 1; ERO – espécies reativas ao oxigênio; TNFα – fator de necrose tumoral alfa

Texto completo em

PDF: https://www.amjcaserep.com/abstract/index/idArt/905340


Background

O vitiligo é uma condição autoimune adquirida que é caracterizada pela destruição dos melanócitos epidérmicos causando a perda do pigmento da pele [1]. O vitiligo pode progredir e envolver a reserva folicular dérmica e destruir a base celular dos melanócitos [1]. Embora a prevalência global de vitiligo seja menor que 1%, em algumas populações, pode-se chegar a 3% da população [1]. Classicamente, o vitiligo foi categorizado em variantes segmentar e nãosegmentar, dependendo da distribuição da despigmentação da pele [2]. O vitiligo pode causar estresse psicológico, especialmente em indivíduos de pele escura, para quem causa preocupações referentes às alterações cosméticas da pele. Além disso, em algumas partes do mundo, como na Índia rural, o vitiligo é considerado um estigma social, especialmente para as meninas

O vitiligo é uma condição autoimune, na qual acredita-se que múltiplos genes da resposta imunológica estejam envolvidos [3]. Estudos têm demonstrado que o vitiligo pode ser causado por uma resposta ao estresse, mediada por células T e envolvendo mediadores como o fator de necrose tumoral alfa (TNFα), proteína de choque térmico 70 (Hsp70) e interleucina 1 alfa (IL-1a) [4-6]. A destruição dos melanócitos é iniciada por um desequilíbrio na produção de espécies reativas ao oxigênio (ERO) e os radicais livres causam danos nos melanócitos da pele, levando a danos estruturais nas proteínas, apoptose celular, ativação de citocinas e dano ao retículo endoplasmático (RE) [4-6]. A gravidade do vitiligo pode ser avaliada pela mensuração da superóxido dismutase, um subproduto do estresse oxidativo que aumenta quando o vitiligo se encontra ativo, mas regride quando as lesões se tornam estáveis [4-6]. Citocinas e quimiocinas, tais como a quimiocina ligante C-C 5 (CCL5), quimiocina CXC ligante 12 (CXCL12), interleucina 1 alfa (IL-1α) e o fator de necrose tumoral alfa (TNFα) mostraram ter um papel importante na indução da apresentação e recrutamento de autoantígenos de células apresentadoras de antígenos (APCs) e células T ativadas e ter um papel na destruição dos melanócitos da pele, sustentando a etiologia autoimune do vitiligo [1,7-11]. 

Atualmente, as opções de tratamento disponíveis para os pacientes com vitiligo têm eficácia limitada, particularmente para pacientes com vitiligo nas áreas acrais, que são resistentes ao tratamento devido à falta de folículos pilosos que possam servir como reservatórios para os melanócitos [1,2]. Os critérios para avaliar a resposta ao tratamento do vitiligo inclui: cessação da disseminação; o surgimento da repigmentação da pele; e qualidade de vida geral durante o tratamento [1,12–14]. No entanto, nenhum estudo terapêutico demonstrou ainda os benefícios a longo prazo ao utilizar esses critérios e maiores pesquisas se fazem necessárias para estabelecer evidências da eficácia no tratamento do vitiligo [1,12–14]. Existe pelo menos um estudo clínico observacional prospectivo que investigou a eficácia do tratamento homeopático clássico para o vitiligo [15], com um novo estudo clínico observacional envolvendo tratamentos homeopáticos administrados com base em sintomas característicos individualizados do paciente [16,17]. Contudo, até onde sabemos, relatamos agora a primeira série de casos retrospectivos descrevendo os efeitos a longo prazo do tratamento homeopático do vitiligo

Relato de Caso 

Uma série de 14 casos de vitiligo é apresentada, tais casos foram tratados com tratamentos homeopáticos individualizados baseados em compostos vegetais, animais ou minerais (Tabela 1). A série de casos consistiu em 13 mulheres e um homem, com média de idade de 29,8 anos e um acompanhamento médio do tratamento de 58 meses. O tempo médio entre o início do aparecimento do vitiligo e a primeira consulta em nossa clínica foi de 96 meses. O tratamento homeopático para os pacientes é holístico e foi realizado numa base individualizada. Imagens fotográficas da pele são apresentadas antes e depois do tratamento (Figuras 1 a 14). Todos os pacientes foram tratados de acordo com as leis da homeopatia clássica [18,19].

As seleções dos tratamentos homeopáticos para esses 14 pacientes foram feitas de acordo com os sintomas individuais dos pacientes. Inicialmente, cada paciente foi avaliado em detalhes em relação aos seus sintomas físicos e psicológicos e o tratamento homeopático foi selecionado para cada paciente (Tabela 1). Na maioria dos casos, 12 dos 14 casos, mais de um remédio homeopático foi prescrito e utilizado sequencialmente (Tabela 1). Os pacientes foram acompanhados durante o tratamento por um período médio de 58 meses. Os casos que foram tratados nos estágios iniciais se recuperaram de forma mais rápida e completa. No entanto, nos outros casos, em que a despigmentação da pele foi estabelecida por um longo período e não foi solucionada, uma vez iniciado o tratamento homeopático, outros problemas de saúde melhoraram bem, enquanto a lesão da pele foi coberta muito lentamente.

Discussão

Este estudo retrospectivo de uma série de 14 casos de vitiligo tratados com compostos homeopáticos individualizados mostrou que embora o vitiligo seja uma doença autoimune primária da pele, pacientes com vitiligo podem ter envolvimento de múltiplos sistemas do corpo. Esta série de casos mostrou que períodos prolongados de estresse psicológico possam estar envolvidos no início e na progressão do vitiligo. Estas associações podem apoiar a visão de que o estresse psicológico e o surgimento de condições autoimunes estejam estreitamente conectados [17]. A medicina homeopática inclui uma abordagem holística para a compreensão do paciente e integra essa abordagem ao fornecer tratamento individualizado ao paciente [18,19]. Certas doenças podem ser manifestadas quando a predisposição genética combina com o estresse, e a homeopatia reconhece esses fatores [18]. A homeopatia considera a suscetibilidade do paciente a certos tipos de estresse, o que significa que a homeopatia possa ser mais bem-sucedida durante o desenvolvimento inicial de uma doença, geralmente mesmo antes de se iniciar com o medicamento convencional [18,19].

 

A esfera de atuação do medicamento homeopático tem como objetivo fortalecer a ação do sistema imunológico através do entendimento primário de os sintomas serem uma tentativa do sistema imunológico para alcançar o equilíbrio [18,19]. Através da aplicação do princípio de ressonância, a base da medicina homeopática é que se uma substância for capaz de produzir um padrão de sintomas similar em um organismo saudável, então a probabilidade do fortalecimento dos mecanismos de defesa do corpo em um corpo doente com os mesmos sintomas é grande [18,19]. O pilar fundamental da ciência da homeopatia é "semelhante cura semelhante" [19]. A base para homeopatia é que qualquer substância (vegetal, animal, mineral ou metal) que possa afetar a saúde humana poderá servir como medicamento, quando preparado da forma correta. Os medicamentos homeopáticos são preparados através de diluições em série e com a utilização de um processo de agitação chamado sucussão ou potencialização, resultando em "material" não detectável na solução, permitindo assim o uso de substâncias tóxicas que podem, de outra forma, ser fatais [20]. Os sintomas obtidos através da "experimentação" dos componentes homeopáticos em humanos saudáveis servem como base para a sua prescrição para os indivíduos doentes. Devido a principal regra terapêutica na homeopatia ser Similia Similibus Curentur (deixe o semelhante ser tratado pelo semelhante), a homeopatia tem a vantagem de levar em consideração as causas das doenças e seus efeitos. [20]. Portanto, o tratamento homeopático, quando administrado em tempo hábil, poderá trazer melhoria duradoura para as doenças autoimunes, quando a homeopatia for administrada nos estágios iniciais [20].

De acordo com a experiência de um homeopata que trata o vitiligo, as lesões podem, em primeiro lugar, parar de se espalhar, as lesões existentes não aumentam de tamanho e não surgem novas lesões. Em segundo lugar, a repigmentação poderá ocorrer, e as bordas das lesões que anteriormente eram difusas tornam-se mais claramente marcadas, indicando a cessação da propagação. A qualidade de vida do paciente pode melhorar e os sintomas de doenças associadas, tais como a disfunção tireoidiana, também pode melhorar [21,22]. Estas respostas clínicas ao tratamento homeopático em pacientes com vitiligo podem ser consideradas como respostas ideais ao tratamento [13]. Entretanto, para que ocorra uma resposta ótima ao tratamento homeopático, o mesmo deverá ser iniciado quando o corpo não tiver sofrido os efeitos da doença por muito tempo e antes que a resposta imunológica se torne irreversível.

Nos 14 casos de vitiligo tratados com a homeopatia e apresentados nesta série de casos, quanto maior o tempo decorrido entre o início do vitiligo e a consulta homeopática, mais difícil foi obter uma boa resposta clínica. Os casos de vitiligo que se apresentavam nos estágios avançados, exigiram mais remédios homeopáticos, prescritos em uma sequência correta para observar uma mudança clínica. Uma explicação para estes achados pode ser que o nível de saúde dos pacientes tenha piorado com o tempo e, com isso, o sistema imunológico precisava de maior estimulação e mais tempo para trazer um efeito clínico positivo sobre o vitiligo [23].

Conclusões

Em 14 pacientes com vitiligo tratados com homeopatia individualizada, os melhores resultados foram alcançados nos pacientes que foram tratados nos estágios iniciais de sua doença. Nós acreditamos que a homeopatia possa ser eficaz nos estágios iniciais do vitiligo, mas grandes estudos clínicos controlados são necessários nesta área.

Conflito de interesses Nenhum.

Referências

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5. Manga P, Elbuluk N, Orlow SJ: Recent advances in understanding vitiligo. F1000Research, 2016; 5: F1000 Faculty Rev-2234

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18. Vithoulkas G, Carlino S. The “continuum” of a unified theory of diseases. Med Sci Monit, 2010; 16(2): SR7–15

19. Vithoulkas G: The basic principles of homeopathy. Homeopathy: The Energy Medicine. 1st ed. Athens: International Academy of Classical Homeopathy; 2013

20. Vithoulkas G: The science of homeopathy. New York: Grove Press, 1980; 91–92

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23. Vithoulkas G, Woensel E: Levels of health. Alonissos, Greece: International Academy of Classical Homeopathy, 2010.

 

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Dmitri Chabanov (1), Dionysis Tsintzas (2) e George Vithoulkas (3)

1 Novosibirsk Centre of Classical Homeopathy, Novosibirsk, Rússia
2 General Hospital of Aitoloakarnania, Agrinion, Grécia
3 University of the Aegean, Siros, Grécia
Correspondência: Dionysios Tsintzas, Kolovou 5, Agrinio 30500, Greece.

E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Resumo

Objetivo. A medicina contemporânea apresenta uma grande necessidade de uma nova classificação do grupo de saúde do paciente, que possa ser a base para as avaliações patológicas, desenvolvimento e prognóstico da doença, para a possibilidade de cura, bem como as possíveis reações do organismo às complicações dos processos de tratamento. Tal categorização é possível se a mesma for baseada em abordagens holísticas na avaliação do nível da saúde, a partir do ponto de vista da reatividade e resistência do organismo. Esta classificação, existente na homeopatia clássica, é dividida em 4 grupos, estes são subdivididos em 12 níveis de saúde. Métodos. Um novo método para determinar o grupo e o nível de saúde é apresentado em um caso de artrite reumatoide juvenil de forma generalizada em uma menina de 11 anos, tratada com a homeopatia clássica. O acompanhamento do caso foi realizado por 18 anos. Conclusão. O método permite o médico avaliar a dinâmica do organismo como um todo durante o desenvolvimento da patologia.

Palavras-chave: artrite idiopática juvenil, homeopatia, teoria dos níveis de saúde

Recebido em 6 de abril de 2018. Aceito para publicação em 26 de abril de 2018.

Na medicina, existem várias classificações de saúde. Contudo, nenhuma delas é capaz de avaliar verdadeiramente a profundidade e a gravidade da patologia de um paciente. Essas classificações não são úteis no fornecimento de previsões a longo prazo acerca do desenvolvimento da doença e nem são úteis na previsão da eficácia do tratamento. Por estas razões, há uma necessidade crescente de alguns novos parâmetros introdutórios. Estes parâmetros não deverão apenas descrever uma patologia separada, mas também um estado coerente do organismo - a sua reatividade geral e resistência.

As investigações gerais de reatividade e resistência foram conduzidas em abundância na Rússia nos anos 50.1-4 De acordo com o Prof. Sirotinin, a autoridade reconhecida nesta área, a resistência (do latim resisto – resistir, suportar) é uma propriedade vital de um organismo, permitindo-lhe resistir a vários efeitos. Outros termos incluem “firmeza” ou “falta de receptividade”. No estudo “A Evolução da Resistência e Reatividade” foi discutida a ideia de resistência, abrangendo uma gama de mecanismos de resistência, além da imunidade, a qual compreende apenas uma parte.4 Os papéis principais no processo pertencem aos sistemas nervoso central e pituitários-adrenais. A reatividade geral é a capacidade de reagir aos efeitos ambientais de uma certa maneira. Em outras palavras, a resistência é uma medida da força final da homeostase, com a reatividade como a totalidade dos mecanismos da homeostase.1,3,4 Os principais instrumentos da reatividade do organismo são tanto a inflamação quanto a febre.1-5

Investigações têm mostrado um caráter mutável da reação inflamatória com reatividade reduzida e a reação tornando-se crônica ao invés de aguda; as doenças infecciosas se desenvolvem de forma difusa, e todas as fases do processo inflamatório tornam-se menos aparentes, com pneumonia sem sintomas.4

A Teoria dos Níveis de Saúde

Segundo a homeopatia clássica moderna, existem 4 grupos (12 níveis) de saúde.6,7 O grupo A consiste em pessoas que possuem alta reatividade e a resistência mais elevada do corpo. As doenças crônicas neste grupo são leves, com períodos de remissão de longa duração. As doenças agudas aparecem raramente, com os poderosos sintomas característicos da doença, acompanhados por febre alta e sem causar complicações. No grupo B, a resistência reduz enquanto a reatividade do organismo aumenta. Esses pacientes sofrem de doenças crônicas mais profundas, com estados agudos mais frequentes, seguidos por complicações que requerem tratamento.

O sexto nível do grupo B pode ser exemplificado, por exemplo, por pneumonia aguda ou pielonefrite aguda que aparecem várias vezes durante o ano. No entanto, começando com o sétimo nível do grupo C, pode-se observar um estado significativamente diferente do organismo. Uma série de patologias crônicas profundas se desenvolvem, tendo como base a reatividade drasticamente reduzida. Ou os pacientes não apresentam mais os resfriados comuns, a gripe, a otite e assim por diante, ou as doenças que são normalmente agudas possuem características pouco claras, sem temperatura febril. Pacientes pertencentes ao grupo D são aqueles sofredores de patologias incuráveis, com prognóstico de tratamento desfavorável e com a expectativa de vida mais curta.

A classificação supramencionada permite uma estimativa mais profunda acerca da gravidade da patologia, proporcionando um prognóstico para a possibilidade de tratamento e as reações do organismo durante o processo de cura. Dessa forma, os prognósticos de pacientes que sofrem de hipertensão, asma brônquica, câncer ou qualquer outra patologia serão completamente diferentes entre os grupos B e C. Falha no tratamento, bem como o aparecimento de complicações, recaídas, metástases e outros eventos indesejáveis são muito mais provável no grupo C, comparado aos grupos A e B. Um caso de artrite reumatoide juvenil (ARJ) curada será descrito, servindo como um exemplo do conceito.

Apresentação do caso

A paciente era uma menina magra, alta e loira de 11 anos de idade, residente na cidade de Tomsk, que consultou pela primeira vez em dezembro 1998. Após repetidas observações médicas e tratamento em um departamento especializado do HIR (hospital infantil regional) na cidade de Tomsk, a paciente foi diagnosticada com artrite reumatoide juvenil, forma articularvisceral, altamente ativa, soropositiva, com curso galopante. A admissão hospitalar mais recente foi em outubro de 1998. Durante a primeira entrevista, a paciente queixou-se de inchaço, dor e rigidez em muitas articulações e particularmente nas articulações metacarpofalângea interfalângicas proximais da mão, pulsos, tornozelos, cotovelos e articulações do joelho. As dores incomodavam incessantemente, eram agravadas durante o movimento, e persistiam durante o repouso. A rigidez aumentava durante as horas da manhã e diminuía durante o movimento. As articulações estavam significativamente inchadas e deformadas. A amplitude do movimento estava significativamente limitada (especialmente o cotovelo e o joelho). A taxa de sedimentação eritrocitária (TSE) aumentou para 48 mm / h, o fator reumatoide (FR) aumentou para 1: 128 (valor normal 1:20), a proteína na urina estava de 0,2 a -1,2 g/L e a hematúria chegou a 1 800 000 mL/cm3, o último como indicativo de envolvimento renal no processo, com inflamação imunológica e epitélio glomerular afetado. Células de Lúpus Eritematoso não foram encontradas.

Histórico pessoal

Não havia patologia articular no histórico médico familiar. De acordo com o histórico pessoal, a menina nasceu saudável, de pais saudáveis; ela foi amamentada por 12 meses, com o crescimento e desenvolvimento dentro dos limites da normalidade, as vacinas foram administradas de acordo com o calendário (Figura 1). Na idade de 18 meses, a paciente desenvolveu infecções respiratórias agudas (IRAs) de longa duração e recorrentes(3-4 vezes por ano), com febre alta de até 39°C, tratadas com ingestões repetidas de antibióticos. Na idade de 20 meses, a paciente desenvolveu eczema infantil (o rosto, os braços e o corpo foram afetados), o tratamento foi realizado com medicamentos anti-histamínicos e pomadas. Com a idade de 3 anos, ela foi hospitalizada 3 vezes em um período de 6 meses - a primeira admissão foi devido a disenteria aguda, e as admissões restantes foram devidas à recorrência da disenteria, para a qual ela recebeu antibióticos repetidamente. Na idade de 4 a 5 anos, a paciente continuou a apresentar doenças agudas frequentes com febres de até 39°C. Aos 6 anos, o primeiro caso de cistite se manifestou, acompanhado por dores ao urinar e leucocitose urinária, e ela foi internada em um hospital infantil, com nova ingestão de antibióticos. A cistite desenvolveu-se de forma crônica, com exacerbações recorrentes, dores cortantes e leucocitose urinária até os 8 anos de idade, a qual foi tratada com medicamentos urosépticos. Múltiplas reações alérgicas seguidas: alternância de estomatite com dermatite atópica, polinose, vulvovaginite alérgica, e alergia respiratória com tosse persistente. Na idade de 6,5 anos, apesar de todas as vacinações, incluindo a DPT, a paciente foi hospitalizada por causa da coqueluche (diagnosticada laboratorialmente). No hospital, também foi descoberta a ascaridíase, para a qual o tratamento anti-helmíntico foi administrado. Aos 7 anos, a paciente foi diagnosticada com impetigo estreptocócico e recebeu tratamento dermatológico. Na idade de 7,5 anos, a paciente contraiu varicela. Até os 9 anos de idade ela se encontrava frequentemente doente com IRA, amigdalite e otite e para o tratamento, os antibióticos foram repetidamente administrados. A febre mais recente ocorreu quando ela tinha aproximadamente 9 anos de idade. Na mesma idade (janeiro 1997), a paciente recebeu a vacina contra a encefalite transmitida por carrapatos e após a vacinação, ela desenvolveu dores de cabeça frequentes, fraqueza e fadiga rápida (as dores de cabeça não permitiam que ela participasse das aulas de educação física na escola). Por causa destas questões, a paciente foi tratada por um neurologista e foi diagnosticada com hipertensão intracraniana. Em agosto de 1997, com a idade de 9 anos e 9 meses, a queixa principal surgiu: poliartrite aguda das grandes e pequenas articulações (pouco antes o início da doença, a paciente recebeu o reforço da vacina contra a encefalite transmitida por carrapatos). Em outubro a novembro de 1997, a menina foi submetida a observação médica com posterior tratamento no Hospital Infantil No. 1 na cidade de Tomsk. A TSE aumentou para 52 mm/h, e a FR foi de 1: 64 com hematúria, já mostrando 20 000 mL/cm3 . No início, ela foi diagnosticada com artrite reativa por Chlamydia (com base na revelação de títulos de IgM de 1: 200 e reação em cadeia da polimerase positiva na garganta e swab vulvar). O diagnóstico foi alterado para a Síndrome de Reiter, a mudança foi baseada na clamidiose e na exacerbação da cistite crônica. A paciente recebeu um tratamento de longa duração com antibióticos (incluindo azitromicina) e medicamentos antivirais. Ela recebeu drogas anti-inflamatórias não esteroidais como tratamento a longo prazo. No entanto, a doença progrediu no decorrer do ano. A menina teve que sair da escola e perdeu todo o ano acadêmico. No verão e outono de 1998, ela foi hospitalizada duas vezes no HIR da cidade de Tomsk. Lá, ela foi diagnosticada com ARJ e recebeu sulfasalazina, sem efeito. A síndrome dolorosa aumentou, com títulos de FR aumentando para 1: 128 e hematúria aumentando de 400.000 a 1.800.000 mL/cm3 . Desde agosto de 1998, ela estava tomando Rhus-tox (12, 30, 200),Phos., Calc-carb, Chin-ars e Merc-dulc em diferentes potências e alguns remédios complexos homeopáticos, sem efeito.

Outros sintomas

Segundo a mãe da paciente, a menina era modesta, tímida, uma paciente bemcomportada e muito compassiva. Em julho de 1997, pouco antes do desenvolvimento da doença principal, ela ficou muito preocupada com a sua mãe, que foi levada ao hospital por causa de uma fratura de costela. A menina sentia medo de cachorros e trovoadas e tinha medo de que algo pudesse acontecer com os seus entes queridos. Ela gosta de comida defumada, picante e de leite. O seu sono era inquieto por causa das dores nas articulações; ela mudava frequentemente a sua posição durante o sono. Até os 6 anos de idade, ela rangia os dentes enquanto dormia e apresentava sonambulismo, encoprese (com fezes formadas) e enurese durante o dia (todos antes dos 6 anos de idade).

Análise do caso

A menina nasceu saudável com uma herança genética favorável. Até a idade de 18 meses, ela não apresentava doenças e mais provavelmente naquele momento, ela se encontrava no grupo A, de acordo com a escala de Níveis de Saúde (Figura 2). Posteriormente, a reatividade do organismo aumentou agudamente, com a menina frequentemente doente e assim, ela parecia estar no grupo B (quarto nível). Vale a pena mencionar que não havia fatores desfavoráveis descobertos que possivelmente pudessem ter influenciado o seu organismo durante o período da idade de 18 meses. Logicamente, pode-se concluir que apenas os fatores essenciais que afetaram o sistema de defesa do organismo como um todo foram as vacinas (dada a predisposição relevante e sensibilidade do organismo). Após os 18 anos meses, outro fator significativo que perturbou o mecanismo de defesa, incluindo o sistema imunológico, foi o tratamento inadequado para as IRAs, notadamente as prescrições repetidas de antibióticos e medicações antipiréticas. Por causa de todos os fatores mencionados acima, a reatividade global do organismo continuou a aumentar ainda mais e até os 6 anos de idade, a menina tinha apenas processos inflamatórios agudos de diferentes tipos com febres altas.

Este histórico, por um lado, mostra a atividade saudável do sistema de defesa, não permitindo o desenvolvimento de doenças crônicas. Por outro lado, o nível de saúde da paciente reduziu constantemente do quarto nível para o quinto e sexto níveis. Desde os 6 anos de idade, pode-se notar o surgimento da cistite crônica, a qual foi a razão para outro episódio de hospitalização, com uma ingestão crescente de antibióticos. No entanto, a paciente permaneceu no grupo B até a idade de 8,5 a 9 anos. Posteriormente, apesar da agravação geral (dores de cabeça, fatigabilidade, incapacidade de realizar esforço), a menina parou de desenvolver febre alta e doenças agudas. Foi nessa época que seu organismo entrou no grupo C (sétimo nível). É mais provável que o fator adicional do distúrbio do sistema imunológico tenha sido a vacinação contra encefalite transmitida por carrapatos, que poderia ter sido “a última gota” para o organismo já perturbado. Portanto, a manifestação de uma patologia degenerativa grave aos 9 anos e 9 meses de idade foi, de fato, pré-determinado para a paciente desde o momento da supressão abrupta da reatividade do organismo e a subsequente deterioração da saúde (grupo C).

Prognóstico

Nos casos de tratamento correto dos pacientes do grupo C de saúde, o prognóstico é a recuperação a longo prazo, que poderá durar por período de 4 a 6 meses a vários anos. Durante o tratamento, vários remédios homeopáticos podem ser necessários um após o outro. Durante o processo de recuperação, esperamos o surgimento de reações, isto é, a gama de patologias que foram suprimidas com o tratamento não adequado (supressivo). Além disso, espera-se a regeneração da capacidade do organismo de produzir inflamação aguda e febres altas. A agravação inicial da síndrome articular e sintomas renais são improváveis por causa da ausência de efeitos da quimioterapia e o quadro clínico completo da doença encontrar-se presente no início do tratamento.

Prescrição

(12 de dezembro de 1998) Causticum LMVI (para dissolver 10 glóbulos em 250 ml de água, para tomar 1 colher de chá por dia de manhã, antes de uma refeição) foi prescrito para reduzir os fármacos antiinflamatórios não esteroidais, com melhoria. O Causticum foi escolhido com base no princípio da similitude (similaridade), pois este remédio apresenta em sua patogênese a inflamação articular com inquietação, inflamação renal, fortes elementos da complacência, o medo de que algo possa acontecer com os entes queridos, o medo de cães e tempestades e o desejo por alimentos defumados. Foi decidido começar com uma baixa potência devido à gravidade da patologia e o baixo nível de saúde.

Acompanhamento

O caso foi acompanhado por 18 anos. Esta jovem visitou o médico 32 vezes ao longo destes 18 anos, e ela ainda se encontra sob tratamento. Durante este período, ela recebeu Causticum em diferentes potências, e para completar a cura, ela recebeu diferentes potências de outros 2 remédios homeopáticos, administrados em rotação - Natrium muriaticum e Tuberculinum. A dinâmica do processo de recuperação com o histórico do acompanhamento está representada resumidamente na Figura 3. O eixo horizontal mostra a idade da paciente no início do tratamento, a partir dos 11 anos até a idade de 29 anos. Com o tratamento, apesar de evitar completamente os anti-inflamatórios não esteroidais, a dor e o inchaço das articulações diminuíram significativamente já durante as primeiras 2 semanas, sem qualquer agravação primária, embora a recuperação continuasse gradualmente ao longo de vários anos. Um ano após o início do tratamento, a melhora da síndrome articular foi avaliada em cerca de 80% a 90%; a paciente foi então capaz de se juntar aos seus colegas de classe. Contudo, as queixas articulares desapareceram completamente 3 anos após o início do tratamento.

No entanto, a deformação, expressa como “nódulos” em certas articulações dos dedos, persistiu até o quinto ano e nos dedos dos pés até o sétimo ano de tratamento, enquanto o tamanho do sapato diminuiu de 40 para 38. Ao mesmo tempo, nem dor e nem rigidez foram notadas. No início do oitavo ano de tratamento, todas as articulações já pareciam normais. Ao longo dos 1,5 anos de tratamento, a TSE invariavelmente diminuiu, nunca ultrapassando 20 mm/h, embora tenha se tornado completamente normal durante o quarto ano de tratamento. A hematúria desapareceu completamente em 1,5 anos de tratamento. A proteinúria diminuiu naquela época para 0,03 a 0,06 g / L, e a sua taxa ficou estável, embora durante as IRAs com febres altas, algumas vezes a proteína aumentava até 0,9 a 1,0 g /L, indicando dano persistente e sustentado do epitélio em alguns glomérulos. A FR tornou-se negativa após 4 anos de tratamento e nunca aumentou além da normalidade. A paciente engravidou aos 21 anos de idade. A gravidez teve o seu curso sem qualquer patologia, os testes clínicos de urina estavam dentro dos limites da normalidade, e quase não houve agravação da síndrome articular. O parto foi vaginal (o menino tem agora 6 anos e é saudável). Mais tarde, sob vários estresses (divórcio, necessidade de ganhar dinheiro sozinha em 2011, a morte de sua mãe em 2014), houve algumas exacerbações da síndrome articular. Essas exacerbações estão destacadas na Figura 3 como os picos da curva azul correspondente às idades de 24 e 27 anos. Estas exacerbações tomaram seu  curso através da artralgia em diferentes articulações (sem inchaço proeminente); ao mesmo tempo, a FR estava dentro dos limites normais, e a TSE não aumentou além de 16 mm / h. Apesar de todas as tensões, o estado geral de saúde da paciente permaneceu satisfatório por muitos anos de observação, e ela continuou com os seus estudos e trabalho.

Nota-se a recuperação da reatividade do organismo no cenário de melhora da ARJ, que foi comprovada após 5 meses de tratamento (seção vermelha da Figura 3) pela manifestação de IRA com febre de 38,2°C (pela primeira vez nos 3 anos anteriores pois, enquanto sofria de ARJ grave, a paciente não desenvolveu nenhuma IRA ou qualquer aumento de temperatura). Posteriormente, durante o segundo e terceiro ano de tratamento, as IRAs ocorreram até 3 a 4 vezes por ano com febres de 39°C (enquanto os sintomas de artrite não pioravam). Mais tarde, as IRAs tornaram-se menos frequentes, uma vez por ano ou menos, em média, mas a febre aumentou para 39°C a 40°C, indicando alta eficiência do sistema imunológico da paciente. Durante todo o período de observação, por 17 anos, a paciente nunca tomou antibióticos. Além disso, durante os primeiros 6 anos de tratamento, houve várias erupções na pele e membranas mucosas (seção verde da Figura 3). Durante o quinto mês de tratamento, dermatite com prurido e vesículas que causavam ardência se manifestaram nas palmas das mãos. As erupções permaneceram por 10 dias e depois evoluíram para a descamação. Mais tarde, erupções semelhantes apareceram na sola do pé e depois na área do peito e pescoço, e essas erupções continuaram aparecendo por mais 5 a 6 anos, em intervalos de 6 a 12 meses. Ao mesmo tempo, a partir do quinto mês de tratamento, muitas verrugas apareceram nas costas da mão direita e permaneceram lá por 1,5 anos, desaparecendo posteriormente por conta própria. Depois de 3 anos de tratamento, o impetigo estreptocócico reapareceu nos braços e no quadril, fato que ocorreu no passado com a idade de 7 anos, antes da manifestação da ARJ. Em comparação, aos 7 anos de idade, a paciente foi tratada com antibióticos por um dermatologista, já o atual impetigo estreptocócico teve a resolução dentro de 1 semana, sozinho. Durante o sexto ano de tratamento, a paciente sofria de dores de cabeça periódicas, semelhantes às dores de cabeça com as quais ela havia sofrido antes da manifestação da ARJ.

Discussão

De acordo com Vithoulkas, todo ser humano é afetado por doenças agudas e crônicas, que se encontram interconectadas por toda a vida em um “continuum de um substrato unificado de doenças”, que leva à condição da doença final que marca o fim da vida. Consequentemente, no curso de uma cura, observa-se a dinâmica da doença sendo deslocada “de dentro para fora” e de órgãos internos (ou seja, rins e articulações) para a pele. Além disso, observa-se “a síndrome do retorno”, o caminho reverso das patologias anteriores (isto é, impetigo estreptocócico, dores de cabeça, alergias). Todos esses processos refletem a “Lei da Cura " de Hering e são evidências da mais profunda reorganização do sistema de defesa, o que não é observado nos casos de efeito placebo, sugerindo um resultado positivo para o tratamento.9

Apenas alguns ensaios clínicos foram publicados com metodologia adequada para avaliar a eficácia da homeopatia em pacientes que sofrem de artrite reumatoide. Nenhum dos estudos publicados relataram efeitos colaterais associados às drogas homeopáticas.10 Gibson, em 1980, em um ensaio clínico terapêutico duplo-cego para avaliar a terapia homeopática em artrite reumatoide concluiu que havia uma melhora significativa na dor subjetiva, no índice articular, na rigidez e força de preensão naqueles pacientes que recebem remédios Figura 4. Dinâmica geral da saúde (11 aos 28 anos de idade) homeopáticos, em comparação ao placebo.11 Dois anos antes deste artigo, o mesmo autor comparou 2 grupos de pacientes que sofriam de artrite reumatoide, tratados com salicilato no primeiro grupo e com homeopatia no segundo grupo. Os pacientes que receberam homeopáticos estavam melhores do que aqueles que receberam salicilato.12

Segundo a Teoria dos Níveis de Saúde, a mudança qualitativa no organismo da nossa paciente ocorreu 0,5 a 1 ano após o início do tratamento, quando a primeira IRA apareceu com uma febre de 38°C, com episódios subsequentes e mais frequentes de IRA, febre alta ao longo dos 2 a 3 anos de tratamento (Figura 4). Estes foram os sinais de recuperação, provando tanto a capacidade de desenvolver febres altas e sensibilidade aos vírus que provocaram IRA e posteriormente aos estreptococos. Todos os processos ocorreram contra o cenário de recuperação de uma óbvia ARJ progressiva, indicando que a paciente mudou para o sexto nível do grupo B. O nível de saúde atual parece ser o quarto do grupo B. O estado de saúde da paciente ainda não pode ser considerado estável. Apesar dos efeitos impressionantes da terapia e do desaparecimento de uma patologia grave como a ARJ, com complicações devido a um curso severo de glomerulonefrite, com o histórico de acompanhamento com duração de 17 anos, persiste um risco de recorrência de patologia autoimune. Este caso exige uma atitude especial e cuidadosa em relação a qualquer tipo de terapia supressora. Evitar o uso de drogas químicas e situações fortemente estressantes psicologicamente proporcionam um prognóstico favorável à expectativa de vida da paciente e, bem como, para a sua qualidade de vida. 

Conclusão 

A nova classificação dos Níveis de Saúde, baseada na abordagem holística do estado dos mecanismos de defesa, considerando a reatividade geral e resistência, permite o desenvolvimento do prognóstico da doença e probabilidade de cura do paciente, bem como possíveis complicações e reações do organismo durante o tratamento. A cura de uma patologia autoimune grave - a forma generalizada da artrite reumatoide juvenil – com o método da homeopatia clássica apoia a eficácia de tal tratamento. O acompanhamento de longa duração, não apresentando sinais de doença por 17 anos, serve como evidência firme para a força dos remédios homeopáticos. 

Contribuições do autor

O Dr. Chabanov foi responsável pelo tratamento da paciente; O Dr. Tsintzas realizou a pesquisa bibliográfica e ajudou com a escrita do artigo; e o Prof. Vithoulkas supervisionou todo o projeto.

Declaração de Conflito de Interesses

Os autores declararam não haver conflitos de interesse potenciais em relação à pesquisa, autoria e/ou publicação deste artigo.

Financiamento

Os autores não receberam apoio financeiro para a pesquisa, autoria, e / ou publicação deste artigo.

Aprovação ética

Este estudo não requer aprovação ética.

Referências bibliográficas

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Artigo original disponível em: http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/2515690X18777995

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa

TOTALIDADE

 

Séries de tomadas de casos

Entrando em contato com o remédio correto

George Vithoulkas

Similia. Vol. 19. N.1. Junho 2007

 

Resumo

Para encontrar o remédio correto, o profissional deverá entender a importância dos sintomas fornecidos e daqueles contidos. Ele também deverá encontrar certas condições internas, se o paciente confiar nele.

Para encontrar o remédio homeopático correto, o similimum como é chamado, significa salvar o paciente do grande sofrimento. Isso significa que ele* recebeu uma grande benção: a possibilidade de se tornar saudável e feliz mais uma vez.

Uma pessoa saudável encontra-se livre nos três níveis de sua existência - mental, emocional e físico e, portanto, é capaz de sentir um bem-estar, uma condição vital para uma verdadeira felicidade. Portanto, encontrar o remédio correto para um indivíduo doente proporciona essa possibilidade, que é algo de valor incomensurável.

Gostaria de considerar, em primeiro lugar, as dificuldades que fazem parte dessa tarefa e, em segundo, as condições internas que deverão prevalecer por parte do paciente e do homeopata, a fim de maximizar a probabilidade de um resultado bastante favorável.

Dificuldades inerentes à busca do ​similimum

Primeiramente veremos as dificuldades que o profissional deverá superar para chegar ao remédio certo. Nós as vivenciamos em nossa prática diária e as conhecemos muito bem.

No início da tomada de um caso, tudo parece em branco; enquanto o recebimento da informação da pessoa doente está em andamento, tudo é possível, mas à medida em que você prossegue para uma investigação e avaliação mais profunda e completa do caso, sua mente é impelida à analisar e combinar os sintomas.

A maior dificuldade que encontrará será na avaliação dos sintomas.

Quais sintomas serão levados em consideração?

Quais sintomas serão ignorados?

A luta é difícil, não tem como saber se o paciente está fornecendo toda a história, ou se os sintomas que ele descreve são confiáveis ou se ele está omitindo informações substanciais!

Ele está omitindo algo pequeno, mas estranho ou peculiar e, portanto, um sintoma importante? Ele faz isso por:

falta de cuidado com seus sintomas?

falta de observação?

vergonha e timidez?

confunde certas doenças ou desconfortos como se não dissessem respeito ao médico?

Sente que o seu sintoma é insignificante ou irrelevante para o caso (mesmo que este sintoma "insignificante" seja a chave do caso)? Desconhece o fato de sentir ansiedade excessiva sobre sua saúde?

Desconhece o que é mais importante para ele, talvez um medo excessivo da morte, o medo do câncer, o medo de enlouquecer, que ele não queira reconhecer?

Os intelectuais tendem a dar um relato ambíguo sobre as condições de saúde na maioria das vezes. É estranho que tantos intelectuais tenham me dito que, como eles entendem, a homeopatia é muito difícil de praticar, pois requer pacientes "muito inteligentes" (como eles) que são capazes de descrever corretamente seus sintomas!

A verdade é o contrário. Pessoas simples e sem instrução tendem a descrever mais claramente seus sintomas do que os intelectuais, porque expressam diretamente seus sentimentos sem filtrá-los como fazem os intelectuais. Eles tendem a expressar a natureza tal como é, enquanto os outros tendem a distorcer a natureza, interpretando-a de acordo com seus caprichos.

As condições internas do paciente e do profissional necessárias para encontrar o similimum

Em segundo lugar, veremos as condições internas necessárias, quando o profissional e o paciente se encontram, para criar a grande chance para a ocorrência desse milagre para o paciente: encontrar o remédio correto, o similimum.

Se quiser ver a imagem verdadeira da alma de uma pessoa, será necessário que a mesma "se dispa" na sua frente. Antigamente, era comum que o médico fizesse o paciente se despir completamente, independentemente do problema, pois era simbólico na medicina materialista e o médico queria ver tudo o que fosse possível com os olhos, no nível físico e material.

O profissional homeopata trata a pessoa inteira - o físico, emocional e mental, e também as sutis energias do ser humano. Há também o interesse em ver os sintomas subjetivos do paciente, todos os sentimentos e pensamentos distorcidos, a fim de compreender a totalidade da estrutura interna da patologia.

Dessa forma, o paciente precisará ficar completamente "despido" perante o homeopata.

Mas para que alguém fique "despido" diante do profissional, para permitir que ele veja sua alma, suas dores, suas feridas, seus medos, seus desejos e perversões naturais, vê-lo totalmente nu no corpo, na mente e na alma há requisitos, entendidos implicitamente pelo paciente e explicitamente pelo profissional.

Em primeiro lugar, existe um desejo profundo e sincero de ajudar o paciente a ser curado.

Este desejo é uma qualidade inerente de um curador, e os pacientes parecem saber a diferença quando o profissional a possui. Caso possua esse desejo, mesmo minimamente no início, o mesmo poderá ser aumentado pelos anos de experiência e dedicação que seguirão depois de ter visto os resultados positivos da sua prescrição.

A maioria dos pacientes percebe rapidamente as intenções internas do curador. Se este for egoísta ou se possuir interesses próprios, ele não se abrirá, ele não "se despirá", independentemente do esforço colocado.

Existem profissionais que ficam impacientes com o paciente; como eles não conseguem enxergar o remédio certo, eles forçam o paciente a dizer o que eles querem para ajustarem o caso à uma ideia preconcebida de um remédio específico. Há outros que não conseguem desvendar o mistério e acabam prescrevendo vários remédios juntos na esperança de que um deles seja o correto.

O sinal de que o profissional possui o talento ou a capacidade de curar os doentes é o entusiasmo inicial gerado no coração do aluno ao ter o primeiro contato com a homeopatia. Posteriormente, será necessária uma grande paciência para ouvir adequadamente o sofrimento do paciente sem a interferência de ideias preconcebidas, sem o barulho de seus pensamentos e sentimentos.

O profissional consciente se sentará diante do paciente como se ele fosse um quadro branco sobre o qual os verdadeiros sintomas serão escritos. É vital o profissional não interferir com projeções de pensamentos e sentimentos subjetivos, e fazer um esforço verdadeiro para não julgar as informações fornecidas pelo paciente, com as quais possa discordar ou não aprovar pessoalmente.

Muitos pacientes, uma vez que encontrarem um ouvido compassivo, abrirão e confessarão coisas nunca ditas a ninguém antes. Tamanho é o poder do seu desejo de ajudar essa pessoa. O momento em que o paciente derrama seus sofrimentos para você, é um momento solene. Deixe que apenas o seu desejo de ajudar seja evidente.

Em segundo lugar, será necessário ganhar a confiança do paciente dentro do curto período de tempo, ou seja, na duração de uma consulta.

Como isso é realizado?

Embora não seja difícil, algumas condições precisam ser atendidas.

a)Primeiramente será necessário sentir a confiança de que poderá realmente ajudar, não importa o quão difícil seja um caso. Essa confiança surgirá a partir do conhecimento geral que será obtido como resultado de seus estudos. Essa confiança será a condição número um que fará com que o paciente mais grosseiro e fechado se abra e confie em você. Quanto mais inseguro o profissional se sentir sobre o caso, menor será a informação que ele receberá. Este é um fenômeno estranho, porque não são ditas palavras sobre o assunto. O homeopata não expressará em palavras que está encontrando dificuldades com o caso, mas existe uma atmosfera através da qual o paciente perceberá, em um nível subconsciente, o que está acontecendo, seja positivo ou negativo. Mesmo um profissional falsamente cheio de segurança fará com que o paciente sinta confiança nele. Inúmeros são os casos em que as pessoas são exploradas por charlatães que parecem ter uma confiança absoluta em seus "medicamentos", independentemente de serem eficazes ou não.

b)Em segundo lugar, deverá mostrar um profundo conhecimento da patologia do caso em questão. Dessa forma, você será capaz de demonstrar que a patologia é perfeitamente compreendida por você. Para ter essa qualidade, não será necessário apenas ter um conhecimento profundo da medicina clínica, mas deverá ser também capaz de combinar esse conhecimento com o conhecimento da matéria médica e com a sua experiência clínica.

c)A terceira condição será uma simpatia mútua ou "homogeneidade", que poderá ocorrer espontaneamente ou ser desenvolvida à medida que segue o processo da tomada do caso.

Essa confiança e abertura de sua parte não devem ser confundidas com familiaridade superficial e exposição barata de carinho. Pelo contrário, significa estabelecer uma conexão não verbal que permita uma comunicação livre e profunda.

Esta é uma condição muito afortunada tanto para você quanto para o paciente. Como a confiança é estabelecida inconscientemente, o paciente se sentirá seguro e, portanto, será capaz de expor suas vulnerabilidades e falar a respeito da parte mais profunda do seu íntimo.

Deve-se dizer também que, se essa simpatia tiver uma direção para o erótico, não haverá chance de o indivíduo ser ajudado pelo curador, pois o curador estará numa procura para "obter" do paciente, apenas.

Na minha experiência de ensino, vi muitos estudantes que ficaram entusiasmados com os ensinamentos e pareciam compreender o material muito bem, mas não conseguiam aplicá-los ao se depararem com os casos, por não possuírem essa qualidade. Esses indivíduos se voltarão para outras vias para expressarem os seus talentos, como pesquisas ou carreiras acadêmicas, nas quais poderão se destacar; eles nunca se tornarão bem sucedidos na prática da homeopatia clássica.

Lembro-me de um exemplo característico dos meus anos de estudos na Índia. Na faculdade em que eu estudava na época, tínhamos um professor de matéria médica que conseguia reproduzir de cor, com grande riqueza de detalhes, todos os remédios e o fazia sem qualquer auxílio das anotações. Este professor era totalmente incapaz de combinar e aplicar esse conhecimento aos pacientes. Todos os alunos sentiram isso, e ninguém o procurava para solicitar ajuda nos casos que eles tinham com um problema de saúde.

Não se deixe seduzir por pensar que, por alguns pacientes terem sido curados sem todos esses requisitos, você poderá ser bem sucedido através do blefe.

Em vez disso, será a ausência de nova chance para o paciente, ou por não ter a possibilidade de comparar, já que o mesmo não experimentou o calor do curador realmente interessado contra a frieza de um examinador intelectual frio com uma aparência profissional.

d) A quarta condição será o respeito pela liberdade e integridade do paciente. Não tente intrusar e violar sua alma por força rude apenas por querer encontrar o remédio. Não tente investigar as coisas por curiosidade, ou por vontade de ver semelhanças em sua própria vida e justificar-se. Se fizer isso, você não conseguirá encontrar o remédio correto na maioria das vezes.

A partir do momento em que a informação fornecida tenha sido suficiente para prescrever com segurança, o profissional deverá interromper imediatamente suas consultas. Você poderá pensar que existiram outros eventos interessantes que o paciente pudesse relatar, especialmente no que diz respeito a seus momentos particulares, mas você deverá abster-se de perguntar, pois esta informação adicional não será crucial para encontrar o remédio.

Uma terceira condição interna será possuir uma grande perseverança na busca dos sintomas, especialmente em casos difíceis.

Muitas vezes meus alunos ficaram exasperados ao acompanharem a tomada de um caso, pela minha perseverança para encontrar os sintomas-chave para confirmar o remédio correto. A menos que possua essa qualidade, acabará perdendo muitos casos. Na frustração, você desistirá e escolherá um remédio, mesmo quando não tiver certeza sobre sua exatidão. Será melhor dizer não saber o que fazer do que conscientemente dar a prescrição errada.

A última condição interna que eu gostaria de discutir aqui é o momento silencioso de meditação.

Quando o paciente tiver fornecido todas as informações necessárias e o profissional estiver com as peças em mãos e juntando-as, este será um momento de análise e síntese da informação. Será melhor realizar este processo com um momento de silêncio interno, que poderá parecer uma pausa sem sentido ou uma meditação. Você ficará em silêncio por algum tempo. O paciente o perceberá como uma lacuna no processo, mas nunca ficará irritado por isso.

Você poderá estar consultando o repertório ou o seu computador, e o paciente ficará pacientemente à espera do seu próximo passo.

Através deste processo de construção da informação em uma imagem do remédio, de repente o remédio certo “clicará” em sua mente e assim, você saberá que terá chegado à resposta correta.

O milagre foi realizado!

É um momento excelente, que proporciona uma satisfação enorme ao profissional, mesmo antes de ter visto o resultado real de sua prescrição.

Quando este clique ocorre, o homeopata sabe que o paciente ficará bem, pois ele tem a certeza de ter encontrado o remédio certo.

*O gênero masculino foi usado exclusivamente para fins de conveniência e não se destina à discriminação em relação ao gênero.

George Vithoulkas leciona acerca da medicina homeopática desde 1967. Ele possui cadeiras em várias universidades e foi vencedor do Prêmio Nobel Alternativo em 1996 por seus esforços para atualizar a homeopatia nos padrões científicos e, em geral, ele é o principal responsável pelo ressurgimento mundial da homeopatia na Europa e nos EUA desde a década de 1960.

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Se influências de doenças suficientemente poderosas ocorrerem na vida de um indivíduo, o mecanismo de defesa irá se enfraquecendo de maneira progressiva em camadas. Essas camadas de predisposição são chamadas, na homeopatia, de "miasmas", tornando-se fatores importantes para qualquer médico que cuide de doenças crônicas.

Parágrafo 72 do Organon:

"As doenças peculiares à humanidade pertencem a duas classes. A primeira inclui processos morbíficos rápidos causados por estados e distúrbios anormais da força vital; essas afecções geralmente completam seu curso num período breve, de variação durável, e são chamadas de doenças agudas. A segunda classe abrange as doenças que, frequentemente, são insignificantes e imperceptíveis no começo; mas, de uma forma que lhes é característica, elas agem de modo deletério sobre o organismo vivo perturbando-o dinâmica e insidiosamente, e minando-lhe a saúde a tal ponto que a energia automática da força vital, destinada à preservação da vida, pode fazer frente a essas doenças apenas de forma imperfeita e ineficaz; no início, bem como durante o seu progresso. Incapaz de extingui-as sem auxílio, a força vital é impotente para prevenir seu crescimento ou sua própria deterioração, resultando na destruição final do organismo. Estas são as chamadas doenças crônicas."

Na homeopatia de Hahnemann a palavra "miasma" significa os efeitos de micro-organismos na força vital inclusive os sintomas que são transmitidos às seguintes gerações. Estes miasmas crônicos são capazes de produzir doenças degenerativas, doenças autoimunes e levar o organismo para distúrbios de imunodeficiência.

Hahnemann notou que cada uma das doenças crônicas tem três fases, uma fase primária, estágio latente e um estado secundário ou terciário. Os efeitos desses miasmas passaram então de uma geração para a próxima geração por herança e causaram predisposições a certas síndromes de doenças.

Os três miasmas crônicos que Hahnemann introduziu em 1828 foram chamados Psora (miasma da coceira), Sicose e Sífilis. Hahnemann publicou sua teoria miasmática muito antes da presença de microrganismos ter sido amplamente aceita, de modo que a maioria dos praticantes achou difícil entender uma teoria tão sofisticada sobre o contágio.

Em resumo, os miasmas hoje são denominados como predisposições genéticas e a análise das predisposições genéticas são importantes para um entendimento melhor sobre o nível de saúde do paciente e a profundidade da doença manifestada. É apenas uma teoria que orienta o raciocínio em relação à profundidade da doença e sua cronicidade.

Nunca prescrevemos com base nos miasmas e sim nos sintomas apresentados pelo paciente.

Recomendamos a leitura dos livros de George Vithoulkas: páginas 53-54 do livro"Níveis de Saúde", cap. 9  do livro "Ciência e Cura" e o livro “Doenças crônicas” de Hahnemann.

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