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Séries de tomadas de casos

Entrando em contato com o remédio correto

George Vithoulkas

Similia. Vol. 19. N.1. Junho 2007

 

Resumo

Para encontrar o remédio correto, o profissional deverá entender a importância dos sintomas fornecidos e daqueles contidos. Ele também deverá encontrar certas condições internas, se o paciente confiar nele.

Para encontrar o remédio homeopático correto, o similimum como é chamado, significa salvar o paciente do grande sofrimento. Isso significa que ele* recebeu uma grande benção: a possibilidade de se tornar saudável e feliz mais uma vez.

Uma pessoa saudável encontra-se livre nos três níveis de sua existência - mental, emocional e físico e, portanto, é capaz de sentir um bem-estar, uma condição vital para uma verdadeira felicidade. Portanto, encontrar o remédio correto para um indivíduo doente proporciona essa possibilidade, que é algo de valor incomensurável.

Gostaria de considerar, em primeiro lugar, as dificuldades que fazem parte dessa tarefa e, em segundo, as condições internas que deverão prevalecer por parte do paciente e do homeopata, a fim de maximizar a probabilidade de um resultado bastante favorável.

Dificuldades inerentes à busca do ​similimum

Primeiramente veremos as dificuldades que o profissional deverá superar para chegar ao remédio certo. Nós as vivenciamos em nossa prática diária e as conhecemos muito bem.

No início da tomada de um caso, tudo parece em branco; enquanto o recebimento da informação da pessoa doente está em andamento, tudo é possível, mas à medida em que você prossegue para uma investigação e avaliação mais profunda e completa do caso, sua mente é impelida à analisar e combinar os sintomas.

A maior dificuldade que encontrará será na avaliação dos sintomas.

Quais sintomas serão levados em consideração?

Quais sintomas serão ignorados?

A luta é difícil, não tem como saber se o paciente está fornecendo toda a história, ou se os sintomas que ele descreve são confiáveis ou se ele está omitindo informações substanciais!

Ele está omitindo algo pequeno, mas estranho ou peculiar e, portanto, um sintoma importante? Ele faz isso por:

falta de cuidado com seus sintomas?

falta de observação?

vergonha e timidez?

confunde certas doenças ou desconfortos como se não dissessem respeito ao médico?

Sente que o seu sintoma é insignificante ou irrelevante para o caso (mesmo que este sintoma "insignificante" seja a chave do caso)? Desconhece o fato de sentir ansiedade excessiva sobre sua saúde?

Desconhece o que é mais importante para ele, talvez um medo excessivo da morte, o medo do câncer, o medo de enlouquecer, que ele não queira reconhecer?

Os intelectuais tendem a dar um relato ambíguo sobre as condições de saúde na maioria das vezes. É estranho que tantos intelectuais tenham me dito que, como eles entendem, a homeopatia é muito difícil de praticar, pois requer pacientes "muito inteligentes" (como eles) que são capazes de descrever corretamente seus sintomas!

A verdade é o contrário. Pessoas simples e sem instrução tendem a descrever mais claramente seus sintomas do que os intelectuais, porque expressam diretamente seus sentimentos sem filtrá-los como fazem os intelectuais. Eles tendem a expressar a natureza tal como é, enquanto os outros tendem a distorcer a natureza, interpretando-a de acordo com seus caprichos.

As condições internas do paciente e do profissional necessárias para encontrar o similimum

Em segundo lugar, veremos as condições internas necessárias, quando o profissional e o paciente se encontram, para criar a grande chance para a ocorrência desse milagre para o paciente: encontrar o remédio correto, o similimum.

Se quiser ver a imagem verdadeira da alma de uma pessoa, será necessário que a mesma "se dispa" na sua frente. Antigamente, era comum que o médico fizesse o paciente se despir completamente, independentemente do problema, pois era simbólico na medicina materialista e o médico queria ver tudo o que fosse possível com os olhos, no nível físico e material.

O profissional homeopata trata a pessoa inteira - o físico, emocional e mental, e também as sutis energias do ser humano. Há também o interesse em ver os sintomas subjetivos do paciente, todos os sentimentos e pensamentos distorcidos, a fim de compreender a totalidade da estrutura interna da patologia.

Dessa forma, o paciente precisará ficar completamente "despido" perante o homeopata.

Mas para que alguém fique "despido" diante do profissional, para permitir que ele veja sua alma, suas dores, suas feridas, seus medos, seus desejos e perversões naturais, vê-lo totalmente nu no corpo, na mente e na alma há requisitos, entendidos implicitamente pelo paciente e explicitamente pelo profissional.

Em primeiro lugar, existe um desejo profundo e sincero de ajudar o paciente a ser curado.

Este desejo é uma qualidade inerente de um curador, e os pacientes parecem saber a diferença quando o profissional a possui. Caso possua esse desejo, mesmo minimamente no início, o mesmo poderá ser aumentado pelos anos de experiência e dedicação que seguirão depois de ter visto os resultados positivos da sua prescrição.

A maioria dos pacientes percebe rapidamente as intenções internas do curador. Se este for egoísta ou se possuir interesses próprios, ele não se abrirá, ele não "se despirá", independentemente do esforço colocado.

Existem profissionais que ficam impacientes com o paciente; como eles não conseguem enxergar o remédio certo, eles forçam o paciente a dizer o que eles querem para ajustarem o caso à uma ideia preconcebida de um remédio específico. Há outros que não conseguem desvendar o mistério e acabam prescrevendo vários remédios juntos na esperança de que um deles seja o correto.

O sinal de que o profissional possui o talento ou a capacidade de curar os doentes é o entusiasmo inicial gerado no coração do aluno ao ter o primeiro contato com a homeopatia. Posteriormente, será necessária uma grande paciência para ouvir adequadamente o sofrimento do paciente sem a interferência de ideias preconcebidas, sem o barulho de seus pensamentos e sentimentos.

O profissional consciente se sentará diante do paciente como se ele fosse um quadro branco sobre o qual os verdadeiros sintomas serão escritos. É vital o profissional não interferir com projeções de pensamentos e sentimentos subjetivos, e fazer um esforço verdadeiro para não julgar as informações fornecidas pelo paciente, com as quais possa discordar ou não aprovar pessoalmente.

Muitos pacientes, uma vez que encontrarem um ouvido compassivo, abrirão e confessarão coisas nunca ditas a ninguém antes. Tamanho é o poder do seu desejo de ajudar essa pessoa. O momento em que o paciente derrama seus sofrimentos para você, é um momento solene. Deixe que apenas o seu desejo de ajudar seja evidente.

Em segundo lugar, será necessário ganhar a confiança do paciente dentro do curto período de tempo, ou seja, na duração de uma consulta.

Como isso é realizado?

Embora não seja difícil, algumas condições precisam ser atendidas.

a)Primeiramente será necessário sentir a confiança de que poderá realmente ajudar, não importa o quão difícil seja um caso. Essa confiança surgirá a partir do conhecimento geral que será obtido como resultado de seus estudos. Essa confiança será a condição número um que fará com que o paciente mais grosseiro e fechado se abra e confie em você. Quanto mais inseguro o profissional se sentir sobre o caso, menor será a informação que ele receberá. Este é um fenômeno estranho, porque não são ditas palavras sobre o assunto. O homeopata não expressará em palavras que está encontrando dificuldades com o caso, mas existe uma atmosfera através da qual o paciente perceberá, em um nível subconsciente, o que está acontecendo, seja positivo ou negativo. Mesmo um profissional falsamente cheio de segurança fará com que o paciente sinta confiança nele. Inúmeros são os casos em que as pessoas são exploradas por charlatães que parecem ter uma confiança absoluta em seus "medicamentos", independentemente de serem eficazes ou não.

b)Em segundo lugar, deverá mostrar um profundo conhecimento da patologia do caso em questão. Dessa forma, você será capaz de demonstrar que a patologia é perfeitamente compreendida por você. Para ter essa qualidade, não será necessário apenas ter um conhecimento profundo da medicina clínica, mas deverá ser também capaz de combinar esse conhecimento com o conhecimento da matéria médica e com a sua experiência clínica.

c)A terceira condição será uma simpatia mútua ou "homogeneidade", que poderá ocorrer espontaneamente ou ser desenvolvida à medida que segue o processo da tomada do caso.

Essa confiança e abertura de sua parte não devem ser confundidas com familiaridade superficial e exposição barata de carinho. Pelo contrário, significa estabelecer uma conexão não verbal que permita uma comunicação livre e profunda.

Esta é uma condição muito afortunada tanto para você quanto para o paciente. Como a confiança é estabelecida inconscientemente, o paciente se sentirá seguro e, portanto, será capaz de expor suas vulnerabilidades e falar a respeito da parte mais profunda do seu íntimo.

Deve-se dizer também que, se essa simpatia tiver uma direção para o erótico, não haverá chance de o indivíduo ser ajudado pelo curador, pois o curador estará numa procura para "obter" do paciente, apenas.

Na minha experiência de ensino, vi muitos estudantes que ficaram entusiasmados com os ensinamentos e pareciam compreender o material muito bem, mas não conseguiam aplicá-los ao se depararem com os casos, por não possuírem essa qualidade. Esses indivíduos se voltarão para outras vias para expressarem os seus talentos, como pesquisas ou carreiras acadêmicas, nas quais poderão se destacar; eles nunca se tornarão bem sucedidos na prática da homeopatia clássica.

Lembro-me de um exemplo característico dos meus anos de estudos na Índia. Na faculdade em que eu estudava na época, tínhamos um professor de matéria médica que conseguia reproduzir de cor, com grande riqueza de detalhes, todos os remédios e o fazia sem qualquer auxílio das anotações. Este professor era totalmente incapaz de combinar e aplicar esse conhecimento aos pacientes. Todos os alunos sentiram isso, e ninguém o procurava para solicitar ajuda nos casos que eles tinham com um problema de saúde.

Não se deixe seduzir por pensar que, por alguns pacientes terem sido curados sem todos esses requisitos, você poderá ser bem sucedido através do blefe.

Em vez disso, será a ausência de nova chance para o paciente, ou por não ter a possibilidade de comparar, já que o mesmo não experimentou o calor do curador realmente interessado contra a frieza de um examinador intelectual frio com uma aparência profissional.

d) A quarta condição será o respeito pela liberdade e integridade do paciente. Não tente intrusar e violar sua alma por força rude apenas por querer encontrar o remédio. Não tente investigar as coisas por curiosidade, ou por vontade de ver semelhanças em sua própria vida e justificar-se. Se fizer isso, você não conseguirá encontrar o remédio correto na maioria das vezes.

A partir do momento em que a informação fornecida tenha sido suficiente para prescrever com segurança, o profissional deverá interromper imediatamente suas consultas. Você poderá pensar que existiram outros eventos interessantes que o paciente pudesse relatar, especialmente no que diz respeito a seus momentos particulares, mas você deverá abster-se de perguntar, pois esta informação adicional não será crucial para encontrar o remédio.

Uma terceira condição interna será possuir uma grande perseverança na busca dos sintomas, especialmente em casos difíceis.

Muitas vezes meus alunos ficaram exasperados ao acompanharem a tomada de um caso, pela minha perseverança para encontrar os sintomas-chave para confirmar o remédio correto. A menos que possua essa qualidade, acabará perdendo muitos casos. Na frustração, você desistirá e escolherá um remédio, mesmo quando não tiver certeza sobre sua exatidão. Será melhor dizer não saber o que fazer do que conscientemente dar a prescrição errada.

A última condição interna que eu gostaria de discutir aqui é o momento silencioso de meditação.

Quando o paciente tiver fornecido todas as informações necessárias e o profissional estiver com as peças em mãos e juntando-as, este será um momento de análise e síntese da informação. Será melhor realizar este processo com um momento de silêncio interno, que poderá parecer uma pausa sem sentido ou uma meditação. Você ficará em silêncio por algum tempo. O paciente o perceberá como uma lacuna no processo, mas nunca ficará irritado por isso.

Você poderá estar consultando o repertório ou o seu computador, e o paciente ficará pacientemente à espera do seu próximo passo.

Através deste processo de construção da informação em uma imagem do remédio, de repente o remédio certo “clicará” em sua mente e assim, você saberá que terá chegado à resposta correta.

O milagre foi realizado!

É um momento excelente, que proporciona uma satisfação enorme ao profissional, mesmo antes de ter visto o resultado real de sua prescrição.

Quando este clique ocorre, o homeopata sabe que o paciente ficará bem, pois ele tem a certeza de ter encontrado o remédio certo.

*O gênero masculino foi usado exclusivamente para fins de conveniência e não se destina à discriminação em relação ao gênero.

George Vithoulkas leciona acerca da medicina homeopática desde 1967. Ele possui cadeiras em várias universidades e foi vencedor do Prêmio Nobel Alternativo em 1996 por seus esforços para atualizar a homeopatia nos padrões científicos e, em geral, ele é o principal responsável pelo ressurgimento mundial da homeopatia na Europa e nos EUA desde a década de 1960.

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